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Crise econômica norte-americana - entrevista Plínio de Arruda Sampaio Jr.

Publicado em 07/02/2008 10:59

Rádio AgênciaNP

Clique aqui para ouvir(6'10'' / 1,41 Mb) - Em 2001 quando uma crise de oferta de capitais se abateu sobre a economia mundial, o Banco Central Americano (Federal Reserve) para estimular novamente a economia americana, utilizou-se de uma tática de abaixar os juros.

A medida tinha como intenção estimular os empréstimos para a população, incentivar o consumo e com isso conseqüentemente, reaquecer a economia. O ramo mais impactado foi o imobiliário. Milhares de empréstimos foram feitos com a intenção de comprar imóveis. Os bancos por seu lado, não avaliaram se as instituições que tomaram crédito na época eram confiáveis ou não.

Como conseqüência, os prejuízos foram enormes. Na casa de R$ 800 bilhões. Isso gerou um trauma que agora se dá pela falta de oferta de crédito que este ano pode atingir a casa R$ 4 trilhões.

O Banco Central americano agora utiliza a mesma tática para tentar sanar a situação. No último mês o Federal Reserve diminui a taxa de juros de 4,25% para 3,5%.

Para explicar melhor a crise na economia americana e os reflexos que ela pode causar para a população da brasileira, a Radioagência NP, entrevistou o economista da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Plínio de Arruda Sampaio Junior.

Radioagência NP: Como você descreve o momento que a economia mundial está vivendo?

Plínio de Arruda Sampaio Jr: Estamos vivendo uma crise de superprodução e uma crise de especulação financeira. A superprodução provoca um movimento de especulação financeira que, quando estoura, agrava o problema de superprodução. Ou seja, você cria um excedente que não tem como voltar para a economia e começa a ser valorizar na órbita da especulativa financeira e, no caso específico da crise que estamos falando, na órbita da especulação imobiliária.

RNP: E como essa especulação gerou a crise?

PAS: O problema apareceu no momento em que se descobriu que este “boom imobiliário” é fictício. Não há recursos para sancionar esse movimento especulativo. Você desvaloriza o patrimônio dos imóveis, as pessoas que compraram imóveis, depois ficam sem dinheiro para pagar as prestações e aí começa o processo inverso da euforia, que é o processo de pânico. Todo mundo passa a querer se desfazer do patrimônio comprado. Esse é o funcionamento da crise. Não é fenômeno novo, ele é histórico e agora apenas se manifesta com as suas especificidades próprias.

RNP: Isso é parecido com o que aconteceu na quebra da bolsa de Nova Iorque em 1929?

PAS: De certa forma sim, mas com a diferença de quem em 1929, os Estados capitalistas centrais não estavam preparados para administrar a crise, ou seja, não deixar que a queima de capital se dê de forma anárquica e abrupta. O desafio de agora é ver se os mecanismos do Banco Central americano e os principais bancos centrais da Europa e da Ásia são suficientes para administrar o tamanho da crise.

RNP: Essa crise pode afetar o Brasil?

PAS: A economia mundial é interconectada, a desaceleração e a queda da economia norte-americana vão afetar as economias mundiais. No caso específico da economia brasileira vai afetar fundamentalmente de duas maneiras. Dificilmente teremos o mesmo volume de investimento de capital externo que tivemos nos últimos cinco anos. Também irá impactar pelo lado real, pois hoje o principal fator dinâmico da economia brasileira é a exportação, e é inevitável que ela caia. Isso porque a demanda externa vai cair e também porque os preços dos produtos que nos vendemos que são basicamente commodities tendem a sofrer mais em momentos de crise.

RNP: Essa atitude do Banco Central de diminuir os juros e estimular novamente uma oferta de crédito e pagamento de dívidas, pode tanto sanar como estimular um outro movimento especulativo. O que se pode fazer para realmente solucionar essa crise?

PAS: Para você resolver a crise dentro do modelo capitalista, você teria que abrir novas frentes de investimento. É preciso dois movimentos, primeiro criar demanda para a capacidade produtiva. Uma maneira de fazer isso é distribuir renda e em paralelo a isso, você abre novas oportunidades de investimento. Então, por exemplo, se você não pode investir na produção de automóveis porque este ramo já está saturado, você investe em saúde ou educação pública. Daí esse excedente de capital não será jogado na bolsa para ser usado para comprar imóveis de forma especulativa. Isto ele [estudunidenses] não estão fazendo e foi justamente por causa disso que esse dinheiro foi para o mercado especulativo.

De São Paulo, da Radioagência NP, Juliano Domingues.

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Comentários (3)

Usuário Anônimo 19/03/2008 11:56
analise e critica sobre a crise norte americano
Usuário Anônimo 14/10/2008 09:24
Estamos vivenciando uma das maiores crises economicas depois de 1929,uma situação que está afetando todo o mundo,simplesmente pela irresponsabilidade de uns todos pagam,pois se o maior centro economico(E.U.A)erra os países subdesenvolvidos serão os que mais sofreram com a queda da bolsa de valores.Com consequência disso a taxa de desemprego tende a aumentar,e a inflação vai subir.
Usuário Anônimo 29/04/2009 23:06
BOA CRITICA.... CONCORDO! E COMO SE NÃO BASTASSE AINDA VEM ESSA GRIPE SUINA QUE JÁ ESTÁ AFETANDO A ECONOMIA TAMBÉM DO BRASIL E OUTROS PAÍSES........A GENTE EXPORTA O QUE TEMOS DE MELHOR NO BRASIL, E OS NORTE AMERICANOS, NOS AGRADECEM COM CRISES E TUDO QUE NÃO PRESTA!
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