Festival Latinidades: trancistas enquanto ofício tradicional afro-brasileiro

27/07/2024, às 14:34 (updated on 30/07/2024, às 14:39) | Tempo estimado de leitura: 3 min
Inesc mediou atividade que debateu a prática de trançar como patrimônio cultural, de economia criativa e de trabalho

“Que essa tradição não seja usurpada, nem fantasiada. Nossas tranças, nossos cabelos são a nossa linguagem, são a nossa representatividade”. A fala foi de Lydia Garcia, durante o Latinidades, maior festival de mulheres negras da América Latina, e resumiu os debates da mesa ‘Trancistas – patrimônio cultural, economia criativa e trabalho’.

O evento ocorreu em Brasília em 25 julho, Dia Internacional da Mulher Negra e Latino-Americana e Caribenha.

Carmela Zigoni, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), foi a responsável pela mediação da atividade que contou com a participação de Layla Maryzandra, coordenadora e idealizadora do Tranças no Mapa e Mestranda no MESPT/UNB; Cristiane Portela, historiadora, integrante do Programa de MESPT/UnB; Mariana Braga, assessora de Participação Social e Diversidade do Ministério da Cultura; Anatalina Lourenço da Silva, assessora de Participação Social e Diversidade; e Leandro Grass, presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O objetivo foi compreender a prática de trançar enquanto ofício tradicional afro-brasileiro exercido historicamente por mulheres negras. A mesa foi realizada em parceria com o Ministério do Trabalho e Instituto Fios da Ancestralidade.

“Foi um momento importante para dar visibilidade ao ofício das próprias trancistas, do que elas entendem sobre esse trabalho, esse conhecimento e saber tradicional que gera relações sociais e renda para essas mulheres. É um legado das mulheres negras guardiãs dessa sabedoria das tranças forjadas na diáspora negra”, destacou Carmela.

Na ocasião, a trancista e pesquisadora Layla Maryzandra, apresentou dados da cartografia deste ofício no Distrito Federal, parte de sua pesquisa desenvolvida junto ao Mestrado Profissional em Sustentabilidade junto aos Povos e Territórios Tradicionais (MESPT/UnB).

“Se as tranças serviram de rotas de fuga nos séculos 15 e 16 na Colômbia, será que as tranças também podem servir de rotas para construir políticas públicas no Brasil do século 21 para trancistas negras?”, questionou a pesquisadora.

Assista à apresentação dos dados da pesquisa e ao debate completo:

Categoria: Notícia
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