Desde o início da chamada “crise migratória”, milhões de pessoas saíram da Venezuela em busca de proteção, trabalho e melhores condições de vida. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), entre 2015 e 2024, mais de 266 mil venezuelanos solicitaram o reconhecimento da condição de refugiado no Brasil, sendo esta a nacionalidade predominante entre as pessoas em busca de proteção internacional no país.
Grande parte desse fluxo entra pelo Norte do território brasileiro, especialmente pela fronteira com o estado de Roraima, e muitos seguem para a capital Boa Vista, onde enfrentam condições de vida precárias, acesso limitado a serviços públicos essenciais e desafios socioeconômicos importantes. Nessas dinâmicas de deslocamento e acolhimento, as situações de discriminação, exploração e violências diversas atingem de forma ainda mais aguda aqueles que já vivenciam desigualdades estruturais, incluindo mulheres, crianças e adolescentes.
Nesse contexto, o Inesc, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), desenvolveu um trabalho de formação a partir do ciclo de oficinas “Uma cidade com políticas públicas acolhe bem a todos/as! Orçamento Público & Direitos dos/as migrantes”. A iniciativa busca estimular alianças entre lideranças migrantes e organizações da sociedade civil, fortalecendo capacidades de incidência junto ao poder público para a formulação e a garantia de políticas públicas que acolham a população migrante.
Nesse mesmo campo de atuação, foi desenvolvido em 2025 o projeto Poderosas da Amazônia, uma iniciativa do Inesc em parceria com o UNFPA e a Embaixada da França no Brasil, com o objetivo de fortalecer organizações e lideranças que atuam na promoção dos direitos das mulheres nos estados do Amazonas e de Roraima. A iniciativa priorizou regiões historicamente marcadas por elevados índices de violência de gênero, mortalidade materna e barreiras de acesso a direitos fundamentais, como saúde, moradia e proteção social, com atenção especial a mulheres migrantes, indígenas, negras, trans e periféricas.
Ao fortalecer capacidades institucionais, fomentar articulações territoriais e ampliar a incidência política de organizações e lideranças locais, essas iniciativas contribuem para a construção de políticas públicas mais justas, inclusivas e comprometidas com a garantia de direitos e com a redução das desigualdades sociais e de gênero na região amazônica.
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