Nota do Inesc sobre as eleições presidenciais de 2026

26/10/2026, às 16:34 (updated on 26/10/2026, às 17:05) | Tempo estimado de leitura: 7 min
Em uma eleição decisiva para a história do Brasil, em que o futuro da democracia e a garantia dos direitos fundamentais estiveram no centro da disputa, a mobilização popular foi a grande protagonista.
Imagem mostra manifestação de pessoas nas ruas durante as eleições 2026

É com alegria e um profundo sentimento de alívio que o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) vem a público celebrar a participação popular nas eleições presidenciais de 2026 e reafirmar seu compromisso com a democracia No último domingo, milhões de brasileiras e brasileiros foram às urnas exercer o direito ao voto, conquistado após décadas de lutas. Em uma eleição decisiva para a história do Brasil, em que o futuro da democracia e a garantia dos direitos fundamentais estiveram no centro da disputa, a mobilização popular foi a grande protagonista. 

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A candidatura de Bolsonaro esteve associada a um campo político marcado por ataques às instituições democráticas, questionamentos ao processo eleitoral e à Constituição, além de propostas que suscitam preocupações quanto à preservação de direitos sociais e trabalhistas.Tratava-se, portanto, de uma candidatura que  representava riscos reais à estabilidade democrática e de supressão de direitos fundamentais.

Do outro lado da disputa do pleito? Estava Lula, concorrendo a seu quarto mandato e cuja trajetória política é reconhecida internacionalmente pela luta pela democracia e pela paz, pela  implementação de políticas públicas de combate à fome, à pobreza e às desigualdades sociais. Sua campanha enfrentou um cenário político complexo, marcado pela influência das grandes plataformas digitais, ingerência dos Estados Unidos,  e pela atuação de grupos econômicos e da mídia comercial.

No entanto, o que acompanhamos após o 1º turno foi uma expressiva mobilização nacional, capaz de alterar o resultado. Lula obteve cerca de 4,4 milhões de votos a mais que seu adversário, uma ampla vantagem, que torna difícil qualquer aventura golpista ou tentativa de não reconhecimento do resultado. 

Foram muitos os fatores que contribuíram para esse resultado, e queremos destacar alguns deles.

Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer o protagonismo das juventudes nas ruas. Milhares de jovens se mobilizaram em todas as regiões do país, em manifestações que não dependeram da convocação da coordenação da campanha.. Foi uma demonstração da capacidade de organização da sociedade em defesa da democracia.

Paralelamente, um “exército” digital que reuniu mais de 10 milhões de pessoas ao longo dos 20 dias do segundo turno ganhou força de mobilização, com iniciativas organizadas para ampliar o alcance de informações, estimular a participação política e disputar espaço nas redes sociais, em um ambiente marcado pela concentração de poder das Big Techs.

Outro aspecto fundamental foi o esforço coletivo para reduzir a abstenção eleitoral, especialmente entre a população idosa. Milhares de pessoas se mobilizaram para incentivar o comparecimento às urnas, inclusive por meio da organização de caronas solidárias e de outras iniciativas destinadas a facilitar o acesso aos locais de votação.

Nesse contexto, acompanhamos com preocupação as denúncias de falta de transporte público em diferentes regiões do país no dia da votação. Reforçamos a importância de que essas situações sejam devidamente investigadas, garantindo que eventuais obstáculos ao exercício do direito ao voto sejam investigados  e responsabilizados nos termos da lei.

Como resultado dessa mobilização, quase três milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, em comparação com o primeiro. Além disso, o pleito registrou o menor percentual de votos brancos e nulos desde 1989, e o menor número de abstenções desde 2006.

Para o Inesc, este momento tem um significado especial. Nossa instituição nasceu no contexto da redemocratização brasileira e foi fundada por uma mulher que sofreu diretamente a violência da ditadura civil-militar. Nossa história está profundamente ligada à luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela participação popular nas decisões sobre os rumos do país.

Sabemos que os desafios permanecem enormes. Será necessário enfrentar as ameaças às instituições democráticas, combater as desigualdades estruturais e garantir que a participação popular não se limite ao momento do voto. A democracia precisa ser fortalecida cotidianamente, sobretudo, por meio da ampliação dos espaços de participação social e da representação da diversidade da população brasileira nos espaços  de poder.

O resultado das urnas também traz responsabilidades para o próximo governo. A defesa da democracia deve estar acompanhada de mudanças concretas que respondam às necessidades da maioria da população brasileira, especialmente dos grupos historicamente excluídos dos espaços de poder e decisão. 

Ressaltamos a importância da fala do presidente eleito em relação a construir uma nova forma de governar, portanto de se fazer política. Defendemos a que temos, mas lutamos por uma Democracia real, concreta, onde o povo seja o poder. 

Da mesma forma, é fundamental que o resultado eleitoral seja respeitado por todas as forças políticas. A vontade popular expressa nas urnas e o funcionamento das instituições democráticas devem prevalecer sobre quaisquer tentativas de deslegitimação do processo eleitoral.

Neste momento, celebramos a força da mobilização popular e reafirmamos nossa certeza de que não há democracia plena sem direitos, justiça social e participação popular. Não existe democracia sem povo. 

Categoria: Notícia
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