Neste Dia Mundial da Justiça Social, reforçemos o compromisso contra a desigualdade
O Dia Mundial da Justiça Social foi instituído pela ONU em 2009 para promover esforços contra a pobreza, a exclusão social e o desemprego, por meio de atividades que apoiem objetivos e metas em favor do desenvolvimento social. Quais atividades? Por exemplo, denunciar esquemas que permitem a sonegação de milhões por parte de grandes corporações, como é o caso de paraísos fiscais; ou pressionar casas legislativas, congressos e assembleias para que nenhum direito seja retirado na aprovação de leis e emendas à constituição; e ainda produzir relatórios, estudos e notas técnicas que revelam os mecanismos da desigualdade, seja ela econômica, política ou social.
Trinta anos antes da instituição da data global pela justiça social, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) iniciava suas atividades justamente em favor dos direitos dos cidadãos, por meio do monitoramento de orçamentos públicos. Criou-se uma metodologia para monitorar orçamentos para garantir direitos e parcerias foram formadas para dar maior robustez na luta contra as desigualdades e injustiças pelo Brasil – e também pelo mundo. Atualmente, o Inesc está presente em debates, fóruns, coletivos e movimentos que promovem diversos temas, entre os quais a justiça fiscal, reforma do sistema político, direito à cidade, crianças, adolescentes e jovens, soberania e segurança alimentar e questões socioambientais, entre outros.
A cada Dia Mundial da Justiça Social, reforçamos nosso compromisso por um mundo mais justo e pleno de direitos.
Brasil precisa de uma Frente Ampla da Democracia que vá além do campo da esquerda
A crise política, econômica e social que vivemos no Brasil indica que o ano de 2017 será tão difícil quanto imprevisível, mas independentemente do que acontecer, uma coisa é preciso estar clara para os progressistas e militantes de esquerda no país: não se pode entrar no jogo do ‘quanto pior, melhor’. “Quanto pior, pior”, afirma Selvino Heck, deputado estadual constituinte do Rio Grande do Sul (1987-1990), em artigo publicado no site Sul 21.
No texto, Selvino faz referência a uma fala de José Moroni, do Colegiado de Gestão do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), em reunião do Movimento de Educadores e Educadoras Populares da América Latina (Ceaal) no Fórum Social das Resistências, realizado em janeiro no Rio Grande do Sul.
“Tudo é possível em 2017 ou no próximo período. Pode não haver eleições em 2018. Pode até haver uma intervenção militar. Como também podem surgir oportunidades. Mas é certo que não se resolve a crise só com processos eleitorais. Reconstruir o campo de esquerda só com eleições é insuficiente, senão impossível. É preciso uma Frente Ampla da Democracia que vá além do campo da esquerda. É um processo de médio e longo prazo.”
Para Heck, uma Frente Ampla da Democracia é uma necessidade que se coloca na conjuntura, “assim como a urgência das lutas, das mobilizações, da resistência, no imediato e na conjuntura. Mas sabendo que a reconstrução do Brasil, da democracia, de políticas públicas e sociais com participação popular e de um país soberano, de uma Nação dona de seu nariz, é trabalho de médio e longo prazo. Aliás, como já aconteceu outras vezes na história brasileira”.
Não há outra coisa a fazer, senão recomeçar o Brasil, de alguma forma, em 2017, diz Heck.
Hub das Pretas promove encontro de mulheres jovens negras em Brasília
Sankofa é um símbolo Adinkra em formato de pássaro de duas cabeças. Segundo a mitologia de Gana e região da África ocidental, simboliza uma volta ao passado para resignificar o presente. O pássaro tem uma cabeça voltada para o passado e outra cabeça voltada para o futuro. Uma inspiração perfeita para as atividades promovida pelo Hub das Pretas, que faz parte do projeto ‘Mulheres Jovens Negras Fortalecidas na Luta contra o Racismo e o Sexismo’. A ideia toda do projeto é justamente compreender as demandas de outrora para dialogar com o presente, como um espaço de articulação para aquilombar, ou seja, organizar mulheres negras de forma política. Sankofa!
E vamos aquilombar em Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, alem do espaço virtual, com a criação de uma rede de cyberativistas negras. Neste fim de semana, é a vez das jovens mulheres negras de Brasília, com a realização do I Encontro Popular de Mulheres Jovens Negras do Distrito Federal e Entorno, um evento autogestionado pelas jovens do Hub das Pretas. O encontro terá a participação da historiadora e professora da Universidade de Brasília (UnB) Joelma Rodrigues e da jornalista Rachel Quintiliano.
Joelma participará de uma roda de conversa sobre ‘mulherismo africana’ e Rachel fará uma oficina sobre trajetórias de vida com as participantes do Hub. Entre uma história de vida e outra, serão realizadas diversas atividades como corporeidade em diáspora, usar o movimento do corpo negro de forma política, religando com sua ancestralidade, slampoetry e lambe, massoterapia, costura e outras oficinas ministradas pelas jovens do projeto.
O evento contará com cobertura online pelo perfil do Hub das Pretas no Twitter —> acompanhe aqui!
“Queremos empretecer e afrocentrar as informações, dentro e fora das novas tecnologias, criando soluções locais e nacionais, frente à violação de direitos das mulheres jovens negras em Brasília”, explica Layla Maryzandra, educadora do Inesc e militante do Fórum de Juventude Negra do DF e Entorno – Fojune.
No Distrito Federal e entorno, o projeto é coordenado pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e conta com a articulação de 15 coletivos para fortalecer práticas inovadoras de fazer política e incidir contra o racismo e o sexismo que afeta as mulheres negras.
A próxima etapa do projeto é de irradiação, ou seja, criação de estratégias de ação para impactar positivamente a realidade das jovens negras do DF. A longo prazo, o projeto tem como objetivo inspirar e influenciar uma nova geração de líderanças negras femininas que estão empenhadas em combater as causas e os efeitos da discriminação racial e de gênero no Brasil.
Hub, que na linguagem do campo da inovação digital quer dizer espaços/articulações/redes de produção e irradiação de informação (criações, metodologias, produtos etc), foi o formato escolhido para articular os coletivos de forma mais fluida e livre, para que as jovens do projeto possam propor temas para diálogo e pautas políticas de acordo com suas vocações e urgências, como a inclusão econômica. Assuntos como “a solidão da mulher negra” ou “apropriação cultural” também se fazem presentes, na medida em que é usada uma metodologia de educação popular com abordagem afrocentrada para trazer a perspectiva das jovens para o processo de construção.
Em janeiro, o Hub das Pretas recebeu Silvana Bahia, mestre em Cultura e Territorialidades, comunicadora social e coordenadora do Olabi Makerspace, empresa social com foco em incentivar o uso de novas (e velhas) tecnologias para mudança social.
“A vinda da Silvana, abriu um leque de questões em relação a segurança digital, mas o que me chamou a atenção foi perceber que mulher negra e tecnologia não são palavras rivais, ela não apenas acessa a tecnologia como usuária, mas a mulher negra é agente de transformação dentro da tecnologia. É mais uma vez a gente quebrando toda forma de estereótipo ligada a nós”, afirma Layla.
Silvana aproveitou a oportunidade ainda para contar um pouco de sua experiência profissional e ativista às participantes do Hub das Pretas. Explicou como facilitou as oficinas de empoderamento feminino em novas tecnologias durante a Maratona Rodada Hacker, e falou um pouco sobre seu trabalho na coordenação do plano de comunicação do filme KBELA e sua colaboração para a plataforma Afroflix. Direitos, cidadania e empoderamento
A violação de direitos das mulheres negras tem sido o fio que articula reflexões sobre direitos, cidadania e empoderamento. Em 2015, o Mapa da Violência revelou que, a despeito das melhorias sociais das últimas duas décadas em diversas áreas, os índices de violência contra as mulheres negras havia crescido, 54% entre 2003 (1.864 homicídios) e 2013 (2.875). Enquanto isso, no mesmo período, o número de homicídios de mulheres brancas caiu 9,8%, de 1.747 em 2003 para 1.576 em 2013.
O racismo é uma das barreiras à participação social e política: as mulheres são metade da população brasileira e sua presença no Parlamento não ultrapassa 2%. Se por um lado muitas jovens chegam à universidade por meio de políticas afirmativas, por outro há dificuldades e obstáculos para chegar ao mercado de trabalho – e o racismo tem papel significativo nisso. As mulheres negras também têm seus direitos violados na Saúde: 60% das mães mortas durante partos no SUS são mulheres negras, segundo dados do Dossiê Mulheres Negra, publicado pela Ong Criola.
“As violações de direitos são múltiplas porque o racismo é estruturante das desigualdades no Brasil. O que as jovens trazem para as rodas de conversas são histórias que infelizmente dão vida às estatísticas sobre as mulheres negras no país. Mas elas também trazem em suas falas resistência, estratégias de se colocar no mundo, uma visão política de vanguarda… e muito afeto. ”, afirma Carmela Zigoni, Assessora Política do Inesc e coordenadora do projeto em Brasília.
“Eu sou um oceano negro, vasto e irrequieto, Indo e vindo contra as marés, eu me levanto. Deixando para trás noites de terror e medo Eu me levanto”.
Por una justicia fiscal como medio para avanzar hacia una sociedade más digna y equitativa
Nosotros y nosotras, representantes de movimientos y organizaciones de la sociedad civil provenientes de Africa, Asia, Europa, América Latina y el Caribe, reunidos en Quito los días 13 y 14 de febrero con motivo del Seminario Internacional “Hacia una agenda fiscal internacional basada en los derechos humanos: por el fin de los paraísos fiscales y por un organismo tributario intergubernamental de la ONU”, reafirmamos nuestro compromiso de seguir trabajando por la justicia fiscal como medio para avanzar hacia una sociedad más digna y equitativa en que las personas gocen de una vida de calidad y sus derechos sean respetados, protegidos y garantizados.
Nuestras distintas redes han venido trabajando en una alianza internacional para lograr cambios en el sistema financiero y fiscal global, articulando propuestas y acciones de concientización a la ciudadanía. Asimismo, hemos procurado incidir en las decisiones de gobiernos y funcionarios/as públicos, para buscar la implementación de medidas que ataquen los problemas estructurales de nuestras sociedades, consecuencia de la escasez y mala distribución de los recursos financieros que deberían servir para garantizar todos los derechos de la población, especialmente los derechos económicos, sociales y culturales.
Sostenemos que la política fiscal es una herramienta fundamental para fortalecer la inclusión social, enfrentar la desigualdad y combatir la pobreza. Sólo a través de políticas públicas sociales de carácter universal y de acciones redistributivas, podremos contar con servicios públicos sostenibles que le permitan a la ciudadanía mejorar su calidad de vida. Para alcanzar estos objetivos, requerimos de sistemas tributarios progresivos que fortalezcan la capacidad de financiamiento de los Gobiernos y la acción sostenida de los Estados.
Recientes revelaciones sobre los mecanismos del mundo offshore y escándalos de corrupción en distintos países dan cuenta de la relevancia que tienen estos centros financieros, más conocidos como paraísos/guaridas fiscales, para esconder y blanquear recursos provenientes de operaciones lícitas, como el comercio internacional lícitas como la corrupción y el lavado de activos en contravención de diversos tratados de derechos humanos. Estas actividades, realizadas con la anuencia o ayuda de organismos, instituciones y compañías del sistema financiero global, mueven miles de millones de dólares anuales tomados de los bolsillos de todos los ciudadanos y ciudadanas que sostenemos las arcas fiscales por medio del pago de impuestos. Mientras sigan existiendo estos territorios que viven de la opacidad y del secretismo, y no se modifiquen las reglas de juego en el ámbito internacional, no será posible luchar contra los flujos financieros ilícitos y continuarán las prácticas nocivas que permiten la evasión y elusión, por parte tanto de las corporaciones transnacionales como de las grandes fortunas.
La acción conjunta de nuestras organizaciones ha permitido avanzar en la visibilización del problema de la fuga de recursos financieros, logrando posicionar el tema en el debate internacional en relación a la necesidad de recuperar esos recursos para que los países tengan un acceso estructural al financiamiento necesario para cumplir los objetivos de desarrollo sostenible. Se ha colocado también la urgencia de una transformación radical en la arquitectura financiera internacional; para crear un nuevo esquema de gobernanza más amplio y con mayores capacidades de supervisión y control en el seno de las Naciones Unidas. Un nuevo orden fiscal internacional en que todos los países puedan participar de forma igualitaria a la hora de decidir las normas fiscales globales, frente al poder de las entidades que actualmente dictan las agendas fiscales, tales como la OCDE.
A pesar de los esfuerzos desplegados por la sociedad civil en los foros nacionales e internacionales, los intereses defendidos por el poder corporativo han bloqueado la posibilidad de lograr cambios verdaderos y sólo se han tomado medidas que responden a los problemas de los países ricos, en lugar de tomar en cuenta a los países en desarrollo, que son los más afectados por la fuga de recursos.
En ese sentido, nos parecen positivas y en la dirección correcta las acciones internacionales del estado ecuatoriano de promover un tratado vinculante que sancione a empresas transnacionales que vulneren los derechos humanos, así como la creación de un órgano intergubernamental en Naciones Unidas para abordar los aspectos fiscales a nivel global desde su Presidencia del G77.
Consideramos que en este marco de la Presidencia del G77 por parte de Ecuador se hace necesario profundizar la articulación entre las organizaciones de sociedad civil global que luchamos por la justicia fiscal y el estado ecuatoriano en su calidad de Presidente Pro Témpore del G77 por una nueva gobernanza mundial en materia fiscal, por el combate contra las guaridas fiscales y por un nuevo orden fiscal internacional alineado con las normas de derechos humanos que ponga el acento en el beneficio de la ciudadanía global y no en el poder corporativo.
Asimismo, hacemos un llamado a los Gobiernos del mundo para que se sumen a estas iniciativas, que nos permitan contar con reglas fiscales justas y transparentes que aseguren el fin de los paraísos fiscales como sistema de evasión y elusión tributaria global y de la riqueza offshore de los ricos del planeta; a fin de garantizar el acceso estructural a los recursos que se requieren para construir sociedades equitativas, justas y sostenibles.
Quito, 14 de febrero de 2017
Organizaciones que se adhieren a la Declaración:
Latindadd
Red de Justicia Fiscal
Alianza Global para la Justicia fiscal (GATJ)
Tax Justice Network (TJN)
la Coalición por la Transparencia Financiera (FTC)
Canadienses por la Justicia Fiscal
Oxfam
Red por la Justicia Tributaria de Colombia
Instituto Centroamericano de Estudios Fiscales (ICEFI)
Instituto de Justicia Fiscal (IJF/Brasil)
CristianAid
Instituto de Estudios Estrategicos y Politicas Publicas (IEPP/Nicaragua)
Fundacion Nacional para el Desarrollo (FUNDE/El Salvador)
Centro de Derechos, Economicos y Sociales (CDES/Ecuador)
Instituto de Estudios Socieconomicos (INESC/Brasil)
Comisión Nacional de Enlace (CNE/Costa Rica)
Defensores da ‘escola sem partido’ pregam uma falsa neutralidade na educação
Os defensores do projeto de lei 7180/14, conhecido como projeto da ‘escola sem partido’, negaram ontem (quarta-feira, 15/2) em audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, em Brasília, que a proposta tem motivações religiosas ou políticas, afirmando que o objetivo central é ‘restabelecer os direitos dos estudantes’. No entanto, para fazer a defesa do projeto, se valeram de inúmeros casos de suposta intolerância religiosa, e pregaram uma falsa neutralidade para a educação no país.
De acordo com o projeto de lei em análise pela Comissão Especial que convocou a audiência pública, uma vez aprovada a proposta obrigará professores a respeitarem as convicções de alunos, seus pais ou responsáveis – ou seja, valores familiares terão precedência sobre a educação escolar em relação à educação moral, sexual ou religiosa.
“Essa proposta da ‘escola sem partido’ na verdade deveria se chamar ‘escola com o partido de quem propôs’, já que advoga uma escola sem ideologia mas impondo uma outra ideologia”, afirma Cleo Manhas, assessora política do Inesc, uma das autoras de livro que desmisfitica suposta neutralidade do movimento ‘escola sem partido’. “Não existe neutralidade na educação, ou mesmo um ‘conhecimento neutro’.
O que o projeto de lei da ‘escola sem partido’ vai promover, diz Cleo, é a intolerância de lado a lado.”Diretores de escolas, estudantes, professores poderão ser vítimas dessa intolerância e também algozes e promotores dela.”
Sobre a alegação apresentada na audiência pública por um dos deputados defensores da proposta, de que há 30 anos a “esquerda marxista radical invadiu a escola brasileira, fazendo lavagem cerebral”, Cleo Manhas afirma que se isso fosse verdade não teríamos tido um golpe parlamentar no país, “nem estaríamos vivendo em momento de retirada de direitos e violência contra mulheres, negros, indígenas etc”.
Para o deputado federal e professor Leo de Brito (PT-AC), uma lei como essa da ‘escola sem partido seria algo como um AI 5 educacional no país.
“Sou professor de universidade e já orientei projetos nos quais a hipótese defendida não era de minha concordância, mas orientei. Acho que a legislação e a Constituição dão conta dessas situações de desrespeito na escola”, argumentou durante a audiência.
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que analisa o projeto de lei volta a se reunir na próxima terça-feira (21/2), às 15 horas, para nova audiência pública sobre a proposta.
Mulheres negras lançam abaixo-assinado contra a PEC da reforma da Previdência
As mulheres negras são, historicamente, a parcela da população brasileira que mais sofre limitações e violações em seus direitos no país, e com a reforma da Previdência não será diferente – elas serão as mais atingidas e sofrerão mais as consequências da mudança nas regras previdenciárias. Por isso, organizações de mulheres negras decidiram lançar uma petição pública contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287, que propõe a reforma da Previdência Social.
A petição foi apresentada pelo Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnias na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e será encaminhada também à Câmara dos Deputados, ao Senado, à Presidência da República e ao Ministério da Fazenda.
O abaixo-assinado proposto é resultado de debates promovidos por entidades de mulheres durante o Fórum Social das Resistências realizado em janeiro em Porto Alegre, que reuniu representantes de organizações de mulheres negras de todo o país.
Grandes empresas brasileiras, públicas e privadas, devem ao INSS um valor quase três vezes o chamado ‘déficit’ da Previdência Social, de acordo com dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) – um total de R$ 426 bilhões -, mas o governo federal o desconsidera dos cálculos feitos para a reforma previdenciária que defende no Congresso Nacional.
“O governo fala muito de déficit na Previdência, mas não leva em conta que o problema da inadimplência e do não repasse das contribuições previdenciárias ajudam a aumentá-lo. As contribuições não pagas ou questionadas na Justiça deveriam ser consideradas [na reforma]”, afirma Achilles Frias, presidente do Sindicado dos Procuradores da Fazenda Nacional (Sinprofaz), em reportagem publicada pelo site Repórter Brasil.
A maior parte dessa dívida está concentrada na mão de poucas empresas que estão ativas. Somente 3% das companhias respondem por mais de 63% da dívida previdenciária. A procuradoria estudou e classificou essas 32.224 empresas que mais devem, e constatou que apenas 18% são extintas. A grande maioria, ou 82%, são ativas, segundo estudo da procuradoria, que classificou 32.224 empresas do universo de mais de 1 milhão de devedores do INSS.
No entanto, há empresas já falidas que devem grandes quantias, como é o caso das ex-companhias aéreas Varig, Vasp e Transbrasil, que juntas devem em torno de R$ 6,7 bilhões – e tais valores são de difícil recuperação. Estima-se que cerca de 60% do valor devido ao INSS jamais volte aos cofres públicos.
Apenas R$ 10,3 bilhões (4% do montante da dívida) têm alta probabilidade de recuperação, segundo estudo da procuradoria divulgado em março do ano passado. Do classificado à época, referente à R$ 375 bilhões de dívidas, constatou-se que 38% têm média chance de recuperação; 28% tem baixa chance e 30% tem chances remotas.
Mapa das Desigualdades: cinema, em Brasília, é privilégio de quem mora no Plano Piloto
Brasília tem um número razoável de salas de cinema, mas a grande maioria concentra-se na área central da cidade. A proporção de salas de cinemas por habitante no país é de 1/65 mil, enquanto que na capital federal é de 1/33 mil. O problema é que do total de 88 salas de Brasília, 60 estão no Plano Piloto e adjascências (Lago Norte, Guará, Sudoeste e Octogonal). Essa concentração toda, como não poderia deixar de ser, afeta a frequência com que os moradores das diferentes regiões do Distrito Federal vão ao cinema.
Outro dado curioso (e preocupante): das 88 salas de cinema de Brasília, 86 ficam em shoppings. As exceções são o Cine Brasília e o Cine Drive-In. “Os cinemas em shoppings criam um critério socioeconômico. Associa-se o cinema a consumo”, afirma a pesquisadora Elen Geraldes, doutora em sociologia e professora da faculdade de comunicação da UnB.
Regiões populosas do Distrito Federal como Ceilãndia (490 mil habitantes), Samambaia (254.439) e Planaltina (189.412) não têm uma sala de cinema sequer.
O Mapa das Desigualdades de Brasília 2016 foi lançado em dezembro de 2016 foi construído e sistematizado a partir de oficinas participativas realizadas em parceria com movimentos e organizações comunitárias locais, e produzido pelo Movimento Nossa Brasília, Inesc e Oxfam Brasil.
O Mapa das Desigualdades de Brasília se propõe a medir e comparar dados sobre mobilidade urbana, saúde, educação, cultura, saneamento básico e meio ambiente, segurança pública e trabalho e renda de regiões administrativas do Distrito Federal com o Plano Piloto da capital. Os dados foram levantados no IBGE, na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) da Codeplan do DF, e no Fundo de Apoio à Cultura (FAC), também do DF.
Todos os dados levantados vão alimentar a Plataforma Cidades Sustentáveis, sendo publicados online na página do Movimento Nossa Brasília, estando disponíveis para consulta e uso pela sociedade civil para incidência com o poder público em temas que envolvam direitos e políticas públicas nas cidades.
Jovem que cumpriu medidas socioeducativas retorna às unidades como educadora
Ravena Carmo saiu da ‘quebrada’ de Planaltina (DF) em 2005 para cumprir dois anos e meio de medida socioeducativa no Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje) em Brasília por ter cometido um ato infracional, que poderia condená-la a uma espiral de violência e exclusão. Mas no meio de seu caminho havia um educador inspirador, preocupado com a inclusão das e dos adolescentes num processo amplo de aprendizagem, ensinando matemática por meio do teatro. Isso pegou Ravena de jeito. E sua vida mudou para sempre.
“Eu não gostava de matemática, mas gostava de ir às aulas dele, porque eram inclusivas”, lembra Ravena, 27 anos, hoje quase formada em Ciências Naturais na Universidade de Brasília (UnB), no campus de Planaltina. “Escolhi ser professora porque é uma dívida que eu tenho com a educação. Quero repassar isso às adolescentes que estão presas e merecem ter uma nova chance na vida.”
A história de Ravena foi contada domingo passado (5/2) no programa Fantástico, da TV Globo – do crime que cometeu à redenção e a deliberada escolha de jamais renunciar à ‘quebrada’. Foi nela que Ravena se criou, caiu e levantou. Não apenas sobreviveu como saiu fortalecida da experiência, e voltou para mostrar às outras adolescentes ainda internadas que existem sim saídas. “O sistema de medida socioeducativa aqui no DF é falido, é um estado de guerra permanente que a gente vive lá dentro”, lembra Ravena. “Por isso escolhi ser professora, porque é uma dívida que tenho com a educação, que me tirou de onde eu estava e me deu novos e poderosos horizontes.”
Ravena lembra até hoje a emoção que foi retornar a uma unidade de internação, desta vez como educadora. “Eu ainda me via do outro lado, como as adolescentes internas. Ainda não me reconhecia como educadora, professora. No primeiro dia que fui lá, achei que ia ser revistada.” A ficha de que era um novo momento em sua vida só caiu quando um dos internos que participariam de sua aula a chamou de ‘professora’. “Foi aí que me liguei que tinha que me empoderar como professora, e foi o que fiz. Eu tinha que assumir meu papel, não queria apenas contar minha história de vida, queria fazer um trabalho social forte com eles.”
A decisão de atuar como professora em unidades de internação foi tomada depois que descobriu um projeto em sua faculdade chamado Educação e Psicologia: mediações possíveis em tempo de inclusão. Se informou e viu que tinha um eixo da socioeducação, realizada na Unidade de Internação de Planaltina, sua cidade natal. Pronto, sua sorte estava selada. “Na semana seguinte eu já estava na unidade, dando oficinas com o tema “O que eu preciso para viver?”, que rendeu depois um artigo apresentado no Seminário Brasileiro de Psicologia, publicado depois num livro do projeto, lançado em 2016.
“Encontrei jovens que me conheceram quando eu estava presa, e agora eu estava ali numa posição diferente, eu me transformei num ponto de referência para eles”, lembra Ravena, acrescentando que em nenhum momento houve sinal de ciúmes ou inveja por sua nova posição. “Pelo contrário, eles me incentivavam. Até os agentes que trabalhavam nas unidades me deram apoio. Alguns ficaram chocados por eu ter dado a volta por cima de maneira tão significativa.”
Ravena conheceu o projeto Onda em 2014, por meio de uma publicação do Facebook de Marcia Acioli, assesora política do Inesc, que procurava jovens que já tinham cumprido medida socioeducativa e eram contra a redução da idade penal. “Sou contra porque é melhor educar do que punir, e assim não gastaríamos tanto dinheiro construindo unidades de internação e presídios, e sim construindo escolas.”
No projeto Onda, Ravena começou a trabalhar nas monitorias como voluntária, e depois dando oficinas de poesias para as adolescentes da Unidade de Internação de Santa Maria (UISM). “Contava minha história para elas, era muito emocionante.” Mas Ravena quer fazer a diferença de uma maneira mais profunda. “Não quero ser conhecida por elas apenas por causa de minha história. Quero ser reconhecida como profissional da educação e assim fazer realmente a diferença na vida delas.”
Movimentos de mulheres convocam luta contra reforma da Previdência
“Nunca se esqueça que basta uma crise política, econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Esses direitos não são permanentes. Você terá que manter-se vigilante durante toda a sua vida” (Simone de Beauvoir)
O Brasil vive hoje o aprofundamento do golpe parlamentar, midiático e jurídico que rompeu com a democracia em 2016, semeou ódio às mulheres e população LGBT e reforçou o racismo. Temos vivido uma conjuntura de avanço do conservadorismo e de perda de direitos sociais e trabalhistas historicamente conquistados, seguido do aumento da violência e do controle sobre a vida e o corpo das mulheres, além da repressão, criminalização aos movimentos sociais populares e da desqualificação e perseguição das esquerdas. Em que pese essa onda conservadora, o feminismo tem resistido nas ruas contra retirada de direitos, contra a violência e feminicídios, lutando por autonomia e por nossos direitos sexuais e reprodutivos. Os desmontes dos direitos e das políticas sociais atingem de forma particular as mulheres. Quanto mais avançam a privatização e a precarização da saúde e da educação, por exemplo, mais se intensifica a sobrecarga de responsabilização e de trabalho das mulheres, aumentando desigualdades de gênero, classe, raça e de geração.
Na contramão do reconhecimento da sobrecarga de trabalho e responsabilidades historicamente imputadas às mulheres, foi apresentada pelo governo golpista de Michel Temer uma proposta de reforma da Previdência que propõe igualar a idade de homens e mulheres, trabalhadores(as) rurais e urbanos para 65 anos, com 25 anos de contribuição. Dessa forma, as trabalhadoras rurais, por exemplo, que até agora se aposentavam com 55 anos, precisarão trabalhar pelo menos 10 anos a mais. Equiparar a idade de homens e mulheres para aposentadoria é desconsiderar a tripla jornada de trabalho das mulheres, que garantem a realização do trabalho doméstico e de cuidados, além da reprodução da força de trabalho. Com as novas regras, as pensões por morte e os benefícios assistenciais definidos pela Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS) deixam de ser vinculados ao salário mínimo e a idade de acesso do Benefício da Prestação Continuada (BPC) passará para 70 anos, retirando o acesso de milhares de pessoas ao benefício que, em diversas famílias, é a única fonte de renda.
Para trabalhadoras e trabalhadores rurais, a PEC 287/2016 propõe várias mudanças que dificultam significativamente o acesso aos direitos previdenciários. Um dos maiores problemas está na obrigatoriedade da contribuição individual em substituição à aplicação de alíquota sobre o resultado da comercialização da produção (art. 195, § 8º da Constituição Federal), conhecido como FUNRURAL. No contexto das relações desiguais na família, quando a família tiver que optar por um membro da família para contribuir, dificilmente será a mulher ou a/o jovem.
Outra alteração drástica será a desvinculação da aposentadoria do Salário Mínimo, que será 51% da média dos salários de contribuição, somados a 1% por ano de contribuição. Isto significa que, para se aposentar com um salário mínimo, um/a trabalhador/a rural necessitará ter contribuído por 49 anos e ter começado a contribuir aos 16 anos de idade.
Nós, mulheres trabalhadoras do campo, da floresta, das águas e da cidade, manifestamos nossa posição contrária à reforma da Previdência Social que impõe retirada de direitos adquiridos e aumento das desigualdades sociais; mas não mexe nos privilégios das classes dominantes, levando à privatização deste direito social e ao aumento do lucro dos bancos e das empresas de previdência privada. Defendemos o sistema de Seguridade Social e a Previdência Universal, Pública e Solidária, que contribua de forma justa com a distribuição de renda e a diminuição das desigualdades entre homens e mulheres, considerando as diferenças entre as/os trabalhadoras/es rurais e urbanos.
Só com uma ampla mobilização impediremos esses retrocessos. Nosso caminho e alternativa é resistir e lutar juntas!!!
Por isso, convocamos a todas as mulheres e organizações de mulheres a participar do processo de construção das ações do Dia Internacional de Luta das Mulheres, 08 de março: lutas em defesa dos nossos direitos contra a reforma da Previdência Social.
Para isso, sugerimos:
• Formação política sobre os impactos da reforma da Previdência na vida das mulheres;
• Participação em programas de rádio;
• Pressão sobre vereadoras/es, prefeitas/os e deputadas/os nos estados, propondo audiências públicas em Câmaras Municipais e Assembleias Legislativas;
• Realização de grandes mobilizações, atos, paralisações e jornadas de lutas descentralizadas nos estados, entre os dias 06 a 15 de março, de forma unitária com mulheres urbanas e rurais e em articulação com partidos de esquerda, movimentos populares e sindicais;
• Lutas contra o desmonte da reforma da Previdência, a retirada de nossos direitos e todos os tipos de violência contra as mulheres;
• Seguir presentes em todas as lutas deste mês de março contra a retirada dos direitos; • Apoiar as lutas da “Parada Internacional de Mulheres” neste 08 de março.
Nossos Direitos, só a luta faz valer!!!
Nenhum Direito A menos!!! Fora Temer!!!
Assinam:
Articulação Brasileira de Lésbicas – ABL
de Agroecologia da Bahia – AABA
Articulação Mineira de Agroecologia – AMA
Articulação de Mulheres Brasileiras – AMB
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Coletivo Democracia Corinthiana – CDC
Coletivo Jaçanã Musa dos Santos – Poços de Caldas/MG
GT Mulheres da Articulação Nacional de Agroecologia – ANA
Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares – CONTAG
Confederação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Brasil – CONTRAF
Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ
Confederação Nacional dos Trabalhadores na Educação – CNTE
Conselho Nacional das Populações Extrativistas – CNS
CUT – Central Única dos Trabalhadores
Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – FENATRAD
Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional – FASE
GT Gênero e Agroecologia
GT Gênero da Articulação Brasileira de Agroecologia- ABA
GT Mulheres e Agroecologia da ASA Paraíba
Levante Popular da Juventude – LPJ
Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia – MAMA
Movimento dos Atingidos por Barragem – MAB
Movimento Camponês Popular – MCP
Movimento Graal/Brasil
Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu – MIQCB
Movimento de Mulheres Camponesas – MMC
Marcha Mundial das Mulheres – MMM
Movimento de Mulheres do Nordeste Paraense – MMNEPA
Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste – MMTR-NE
Movimento de Mulheres da Zona da Mata e Leste de Minas – MMZML
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimento pela Soberania Popular na Mineração – MAM
Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos / Movimento Organizado de Trabalhadores Urbanos – MTD/MOTU
Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra – MST
Núcleo de Estudos, Pesquisas e Práticas Agroecológicas do Semiárido – NEPPAS/UFRPE
Núcleo de Defesa da Democracia – NDD/DF
Rede de Mulheres Empreendedoras Rurais da Amazônia – RMERA
Rede Nacional de Negras e Negros LGBT
Rede Nacional Feminista de Saúde, Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos
União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária – UNICAFES
O Instituto de Estudos Socioeconômicos – INESC, criado em 1979, é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, não partidária e com finalidade pública. A ação do INESC orienta-se para ampliar a participação social em espaços de deliberação de políticas públicas. Em suas intervenções sociais utiliza o instrumental orçamentário como eixo estruturante do fortalecimento e da promoção da transparência pública e cidadania. Para ampliar o impacto de suas ações, o INESC atua em estreita parceria com outras organizações, movimentos e coletivos sociais.
Visando alcançar esta missão sempre em diálogo com a sociedade, em 2015 realizamos um evento sobre o ‘direito à cidade’ nas dependências da Faculdade Dulcina de Moares e seu respectivo teatro. Além disso, acompanhamos as atividades do Movimento Dulcina Vive e acreditamos que o modelo de gestão colaborativa e a democratização daquele espaço alinha-se à agenda do direito à cidade – uma cidade mais humana, para todos.
O Inesc tomou conhecimento da mudança na administração judicial da Faculdade e Teatro Dulcina de Moraes, e vem a público manifestar apoio ao Movimento Dulcina Vive, fazendo coro para que o processo de decisão para gestão daquele espaço ocorra de maneira participativa em diálogo com a comunidade da faculdade (alunos, professores, voluntário e parceiros) e com a sociedade brasiliense de modo geral, em função dos princípios democráticos, da transparência e da participação social cidadã.
Entendemos, finalmente, ser urgente a recomposição do Conselho da Fundação Brasileira de Teatro – FBT, que definirá o funcionamento do espaço nos próximos anos, de forma transparente e com participação de organizações e pessoas comprometidas com os movimentos culturais locais.
Equipe Inesc
Veja como foi o evento Inspira Brasília realizado pelo Inesc em parceria com o Movimento Dulcina Vive:
O site Nexo fez ampla reportagem expondo os dois lados e dando detalhes da proposta em discussão atualmente no Senado. Entre os críticos do projeto de lei citados pela reportagem estão a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e o Inesc, que consideram inadmissível que o projeto não aborde, por exemplo, a morte de crianças indígenas por problemas como desnutrição, diarreia, viroses e infecções respiratórias, agravados por falta de atendimento médico, alimentação adequada e saneamento básico. “As nossas crianças indígenas continuam morrendo por doenças que, a princípio, na sociedade dos brancos, não são mais admissíveis”, afirma Valéria Paye Pereira, integrante da Apib, em entrevista publicada no site Investimentos e Direitos na Amazônia, do Inesc.
Cofecon define estratégias com sociedade civil para Campanha Nacional de Redução da Desigualdade Social
O Conselho Federal de Economia (Cofecon)realizará nesta quarta-feira (8/2), das 9 às 17h30, oficina com organizações da sociedade civil para discutir questões relacionadas à Campanha Nacional pela Redução da Desigualdade Social no Brasil. Na ocasião, serão definidos os objetivos no curtíssimo, curto e médio prazo e as estratégias da campanha, que está estruturada em seis eixos:
1- Reforma tributária que reduza os impostos sobre a produção e consumo (que hoje representam 72% do total arrecadado) e aumente a tributação sobre a renda e a riqueza.
2- Preservação e ampliação dos direitos sociais, com fortalecimento de serviços públicos e da previdência social.
3- Políticas públicas de valorização do trabalho, defendendo a política de aumento real do salário mínimo, ampliação da formalização do emprego e do direito ao seguro desemprego, além de combater a terceirização.
4- Defesa da educação, aumentando a escolaridade do brasileiro e a qualificação para o trabalho.
5- Reforço da função social do Estado, com destinação do orçamento público para atender prioritariamente as demandas sociais, eliminando isenções e desonerações fiscais, subsídios e gastos com juros da dívida pública.
6- Ampliação da democracia e da participação social, combatendo o sistema político responsável pela reprodução da desigualdade social e implementando uma Reforma Política.
Adelmo Araújo, educador popular da FASE em Pernambuco, faleceu aos 58 anos nessa quinta-feira (2) após semanas no hospital enfrentando as consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Atuante em favor do direito à cidade, ele recebeu o carinho de companheiros, movimentos sociais e organizações de luta por direitos humanos. Nossa organização presta solidariedade aos seus familiares e amigos. Também agradece a Adelmo por toda sua energia e dedicação ao longo dos 30 anos em que trabalhou na FASE, sempre lutando contra as diversas desigualdades sociais que assolam a sociedade.
O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), além de lamentar o seu mais profundo pesar, destacou em nota que o “movimento por Reforma Urbana do Nordeste perde um dos seus principais articuladores”. Da mesma maneira, a Associação de Pescadores e Pescadoras Artesanais em Atividade em Cabo de Santo Agostinho (APPACSA) apontou que a história de Adelmo foi marcada pela “luta por outra cidade, mais justa, mais democrática”.
A Action Aid Brasil ressaltou que sua equipe de Pernambuco teve a oportunidade de “vivenciar momentos de reflexão sobre o contexto e sobre os sonhos de mudar nosso Brasil e o mundo”. O Centro Sabiá, que trabalha com a promoção da agricultura familiar e da agroecologia, também prestou homenagem ao educador. “Adelmo foi um pessoa muito querida e um companheiro de nossas lutas cotidianas por direitos, democracia e vida digna para todos e todas. Sentiremos muito a sua falta”, pontuou.
Companheiras e companheiros da FASE demonstraram carinho por Adelmo lembrando momentos alegres. “Conheci Adelmo desde longos anos na FASE. Sempre me lembrarei de nossas conversas e de suas reflexões político-institucionais provocadoras do bom debate. Com certeza seu papel de educador popular, seu compromisso político e sua militância junto aos movimentos sociais urbanos serão lembrados e reverenciados”, destacou Maria Emília, do Grupo Nacional de Assessoria (GNA).
Sara Pereira, apesar de ter ingressado no programa da FASE na Amazônia em 2014, já conhecia Adelmo desde 2005. Ela chamou atenção para a atuação do educador popular no Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU). Foi em uma reunião da entidade, em São Paulo, onde se encontraram pela primeira vez. “Era a minha primeira reunião com lideranças nacionais. A empatia foi imediata”, disse ela, valorizando a simplicidade e a parceria de Adelmo. “Obrigada pela acolhida, pelo aprendizado, pela torcida, pela generosidade, pela amizade e pelo amor que tivemos a oportunidade de viver. Descanse em paz, guerreiro de tantas lutas!”, agradeceu.
No marco dos 50 anos da FASE, em 2011, bem na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Adelmo Araújo, então coordenador do programa na nossa organização no estado, fez questão de se voltar contra a criminalização das organizações da sociedade civil de luta por direitos. Na época, argumentou que a FASE, e muitas outras entidades, foram e são fundamentais para a conquista de cidadania no Brasil.
Adelmo compartilhava suas ideias e ideais em espaços institucionais de disputa política, mas também em territórios como a Comunidade Caranguejo-Tabaiares, na Ilha do Retiro, zona oeste do Recife. Foi lá onde ele, ao lado da equipe da FASE em Pernambuco e de parceiros, desenvolveu um de seus últimos trabalhos. A campanha “Lugar de Lixo é no Lixo” debatia junto a moradores e estudantes de escolas públicas a cidade a partir da coleta seletiva e da reciclagem. Isso incluindo a criatividade, com grafitagem e a instalação de jardins. Adelmo teve uma vida dedicada às lutas sociais e continuava passando sua experiência e conhecimentos aos mais jovens.
Adelmo Araújo, presente!
Morre em Pernambuco o educador popular Adelmo Araújo, da Fase
Adelmo Araújo, educador popular da FASE em Pernambuco, faleceu aos 58 anos nessa quinta-feira (2) após semanas no hospital enfrentando as consequências de um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Atuante em favor do direito à cidade, ele recebeu o carinho de companheiros, movimentos sociais e organizações de luta por direitos humanos. Nossa organização presta solidariedade aos seus familiares e amigos. Também agradece a Adelmo por toda sua energia e dedicação ao longo dos 30 anos em que trabalhou na FASE, sempre lutando contra as diversas desigualdades sociais que assolam a sociedade.
O Centro Dom Helder Câmara de Estudos e Ação Social (Cendhec), além de lamentar o seu mais profundo pesar, destacou em nota que o “movimento por Reforma Urbana do Nordeste perde um dos seus principais articuladores”. Da mesma maneira, a Associação de Pescadores e Pescadoras Artesanais em Atividade em Cabo de Santo Agostinho (APPACSA) apontou que a história de Adelmo foi marcada pela “luta por outra cidade, mais justa, mais democrática”.
A Action Aid Brasil ressaltou que sua equipe de Pernambuco teve a oportunidade de “vivenciar momentos de reflexão sobre o contexto e sobre os sonhos de mudar nosso Brasil e o mundo”. O Centro Sabiá, que trabalha com a promoção da agricultura familiar e da agroecologia, também prestou homenagem ao educador. “Adelmo foi um pessoa muito querida e um companheiro de nossas lutas cotidianas por direitos, democracia e vida digna para todos e todas. Sentiremos muito a sua falta”, pontuou.
Companheiras e companheiros da FASE demonstraram carinho por Adelmo lembrando momentos alegres. “Conheci Adelmo desde longos anos na FASE. Sempre me lembrarei de nossas conversas e de suas reflexões político-institucionais provocadoras do bom debate. Com certeza seu papel de educador popular, seu compromisso político e sua militância junto aos movimentos sociais urbanos serão lembrados e reverenciados”, destacou Maria Emília, do Grupo Nacional de Assessoria (GNA).
Sara Pereira, apesar de ter ingressado no programa da FASE na Amazônia em 2014, já conhecia Adelmo desde 2005. Ela chamou atenção para a atuação do educador popular no Fórum Nacional de Reforma Urbana (FNRU). Foi em uma reunião da entidade, em São Paulo, onde se encontraram pela primeira vez. “Era a minha primeira reunião com lideranças nacionais. A empatia foi imediata”, disse ela, valorizando a simplicidade e a parceria de Adelmo. “Obrigada pela acolhida, pelo aprendizado, pela torcida, pela generosidade, pela amizade e pelo amor que tivemos a oportunidade de viver. Descanse em paz, guerreiro de tantas lutas!”, agradeceu.
No marco dos 50 anos da FASE, em 2011, bem na Assembleia Legislativa de Pernambuco, Adelmo Araújo, então coordenador do programa na nossa organização no estado, fez questão de se voltar contra a criminalização das organizações da sociedade civil de luta por direitos. Na época, argumentou que a FASE, e muitas outras entidades, foram e são fundamentais para a conquista de cidadania no Brasil.
Adelmo compartilhava suas ideias e ideais em espaços institucionais de disputa política, mas também em territórios como a Comunidade Caranguejo-Tabaiares, na Ilha do Retiro, zona oeste do Recife. Foi lá onde ele, ao lado da equipe da FASE em Pernambuco e de parceiros, desenvolveu um de seus últimos trabalhos. A campanha “Lugar de Lixo é no Lixo” debatia junto a moradores e estudantes de escolas públicas a cidade a partir da coleta seletiva e da reciclagem. Isso incluindo a criatividade, com grafitagem e a instalação de jardins. Adelmo teve uma vida dedicada às lutas sociais e continuava passando sua experiência e conhecimentos aos mais jovens.
Adelmo Araújo, presente!
Seminário discute as principais ameaças aos direitos socioterritoriais na Amazônia
Os ventos mudaram significativamente no Brasil no último ano e isso não é uma boa notícia para a Amazônia. As muitas pressões contra direitos socioambientais em nome de um desenvolvimento inconsequente e predatório ganharam intensidade e os direitos de grupos e comunidades da região estão mais fragilizados do que nunca. Quais as consequências desse novo ciclo de investimentos em infraestrutura? Como impedir a flexibilização de marcos legais de proteção aos direitos socioambientais? Quais alternativas temos?
Com a palavra pesquisadores e representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil que se reúnem nos próximos dias 9 e 10 de fevereiro em Belém (PA) para discutir e articular reações a esses e outros tópicos no Seminário “Amazônia – territórios e significados em disputa”. O evento é fechado, não havendo inscrições possíveis.
“Essa luta por direitos tem se feito em contraposição ao avanço de grandes projetos e investimentos – em hidrelétricas, mineração, infraestrutura, agronegócio – os quais têm um efeito devastador sobre a floresta e sobre os povos de nela vivem”, afirma Alessandra Cardoso, assessora política do Inesc e uma das organizadoras do evento.
“Então, é muito importantetereventos como esse que conseguem reunir um grupo tão diverso e representativo para trocar suas reflexões, construir coletivamente uma leitura sobre a realidade política, econômica, social e geopolítica do país e da Amazônia em específico. Esperamos que este esforço coletivo contribua para dar ainda mais ânimo e potencial para a luta por direitos na região.”
Para Alessandra, não é apenas a biodiversidade e a floresta da região que estão em jogo, mas também a riqueza e diversidade cultural dos muitos grupos, coletivos e comunidades que vivem na Amazônia.
“O evento reúne um grupo muito representativo de movimentos e organizações sociais amazônicas que têm atuado fortemente para defender seus direitos”, diz Alessandra.
Na mesa de abertura do seminário estão agendados os pesquisadores Carlos Walter Porto Gonçalves (UFF), Edna Castro (UFPA) e Alfredo Wagner (UFMA) para discutir Amazônia no século 21: geopolítica, democracia e grandes corporações.
Também haverá uma reflexão mais aprofundada sobre articulações e conflitos de interesses públicos e privados na viabilização de grandes obras na região, bem como as estratégias empresariais de fragmentação e cooptação das resistências.
União alimenta déficit na Previdência ao não cobrar sonegadores e conceder isenções fiscais
O maior inimigo da Previdência pública hoje no Brasil é o próprio governo, que aperta o cerco sobre o sistema de Seguridade Social previsto pela Constituição estimulando o medo e a fuga de novos contribuintes previdenciários. “O recado é: quem não buscar os fundos de previdência complementar pode cair na pobreza”, alerta a economista Denise Gentil, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que em entrevista à revista Carta Capital revela a agenda oculta do governo Temer para privatizar o sistema previdenciário brasileiro, usando a ‘reforma’ como disfarce.
Para Denise, o que se busca é alterar de maneira significativa o caráter da Seguridade Social no Brasil, conforme previsto hoje na Constituição. “A reforma também tem outro objetivo: achatar os gastos públicos. Ao fazer isso com a Previdência e com a Assistência Social, ela também vai liberar mais recursos para pagar juros. E os grandes proprietários de títulos públicos no Brasil são os mesmos dos fundos de previdência, que são os fundos dos bancos.”
A professora Denise considera ainda um equívoco pensar que reforma da Previdência poderá contribuir para o combate da crise fiscal no país. Se fosse o caso, o governo deveria aumentar as receitas da Seguridade Social e não comprimi-las – eliminando isenções fiscais a empresas que não dão contrapartida ou cobrando a dívida milionária de diversos sonegadores que estão na Dívida Ativa da União (DAU).
Em artigo publicado no ano passado, nossa assessora política Grazielle David lembrade outro fator que promove a sangria de recursos do sistema de Seguridade Social: a DRU, ou Desvinculação de Receitas da União, que permite retirar 20% (e há quem queira aumentar para 30%) das contribuições sociais e econômicas que compõem o Orçamento da Seguridade Social (OSS). Com isso, bilhões que deveriam financiar a Previdência, a Saúde e a Assistência Social acabam sendo usados em outras finalidades, como por exemplo pagar juros da dívida pública. Leia aqui a íntegra do artigo de Grazielle David.
Confira um trecho da entrevista da economista Denise Gentil:
CC:Então o déficit é uma falácia?
DG:Sim. Em primeiro lugar, porque o déficit foi provocado pelo pagamento de juros, o maior gasto do orçamento do governo. Enquanto o déficit anunciado da Previdência pelo governo é de 149,7 bilhões de reais, o governo entrega ao setor privado algo em torno de 501 bilhões ao ano, ou seja, 8% do PIB. A conta não fecha, principalmente, pelo gasto com adívida pública.
O ajuste fiscal que pretende cortar os gastos da Previdência não vai resolver o problema das contas do governo porque, para isso, é preciso corrigir a política monetária. A verdadeira reforma teria que ser na política monetária e cambial do Brasil, porque é responsável pelo crescimento da dívida pública. A população precisa saber disso.
Lista com 40 ameaças do Congresso aos direitos humanos será enviada à ONU
Uma lista com 40 ameaças aos direitos humanos em discussão ou já aprovadas no Congresso Nacional será enviada à ONU como adendo do presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, Padre João (PT-MG), e da presidenta da Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos, Erika Kokay (PT-DF).
Segundo informações da reportagem do Brasil de Fato, a lista foi elaborada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara em parceria com o Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UFRJ), e teve apoio de pesquisas realizadas pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), da Conectas Direitos Humanos e do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).
Parte dos projetos que atingem os direitos humanos no país foi aprovada ao longo de 2016 – no final de 2015 nós do Inesc fizemos uma lista de propostas que estavam ganhando força no Congresso. Batizamos essas propostas de ‘pautas-bomba’ da bancada BBB – Boi, Bala e Bíblia.
Nessa nova lista com 40 ataques aos direitos humanos no Brasil, temos ameaças como o fim dos direitos trabalhistas, retrocessos na reforma agrária, maior liberação de agrotóxicos, fim do licenciamento ambiental, fim das demarcações indígenas, redução da idade penal e revogação do Estatuto do Desarmamento, entre muitos outros.
E é por essas e outras que precisamos urgentemente de uma reforma do sistema político, para que o Congresso seja representativo de toda a sociedade e não apenas da bancada BBB (Boi, Bíblia e Bala).
Dia da Visibilidade Trans é data para marcar luta por direitos e reafirmar: “Nós existimos!”
Para marcar o Dia da Visibilidade Trans deste ano (domingo, 29 de janeiro), uma banda de mulheres trans resolveu gravar cinco pequenos episódios em vídeo contando histórias de travestis, transexuais e transgêneros, todas baseadas em casos reais. O resultado é avassalador. A leitura das experiências, feita por Assucena Assucena e Raquel Virgínia, as líderes do grupo As Bahias e a Cozinha Mineira, tem a força de uma grande chacoalhada na inércia geral e irrestrita em relação ao preconceito, violência e invisibilidade social que as pessoas trans sofrem no Brasil.
A carga pedagógica e dramática dos vídeos nos coloca no banco dos réus. O que temos feito para garantir plenos direitos a transgêneros, transexuais e travestis no país? O que podemos fazer para acabar com os vergonhosos índices de violência que o Brasil apresenta ano após ano?
“A identidade a mim negada é gêmea do ódio”, diz Assucena em um dos vídeos, escancarando sem dó uma triste estatística: o Brasil é hoje recordista mundial em assassinatos de pessoas trans.
Os dados da violência contra a comunidade trans no Brasil são essenciais para entendermos a seriedade do assunto, mas os vídeos da campanha “Nós Existimos” vão além. Eles falam sim da tragédia, das mortes, das tristezas, mas também dos anseios e sonhos de milhares de pessoas que fundamentalmente gritam: sim, mulheres e homens trans existem e têm muito o que dizer!
“O dia29 de janeiroé fundamental para marcar a luta pelos direitos das pessoas trans – transgêneros, transexuais e travestis. O Brasil é um dos países que mais mata pessoas trans no mundo, crimes geralmente muito cruéis. Além dos crimes de homicídio, há outros crimes ligados à transfobia, como homens trans que são vítimas de ‘estupro corretivo'”, afirma Carmela Zigoni, assessora política do Inesc. “Além da violência física, pessoas trans são vítimas de violações de direito cotidianas, como a negação do nome social na maioria dos espaços sociais. E até mesmo a escola, que deveria ser um lugar de acolhimento e educação, muitas vezes perpetua a opressão, negando o direito dos adolescentes em expressar sua identidade de gênero.”
OBrasil é o país onde mais se mata travestis e transexuaisno mundo. Segundo relatório da Transgender Europe, ONG voltada à defesa do direito das pessoas trans, o Brasil responde por 123 dos 295 casos de assassinatos de pessoas trans registrados em 2015 no mundo – o segundo colocado México contabilizou 52. A maior parte das mortes ocorre com pessoas ligadas à prostituição, função exercida por muitas pessoas trans por conta do descaso institucional, informa a revista Carta Capital.
No ano passado, o ativista trans Marcelo Caetano nos deu um depoimento, também em vídeo, sobre a questão do uso do nome social por pessoas trans. Para ele, o nome social é uma conquista importante, mas ainda uma gambiarra, um mecanismo precário de garantia de direitos. “Respeito e dignidade começam com o nosso nome, começam com quem a gente realmente é, o reconhecimento de quem a gente é.”
Oficina de comunicação do projeto Mulheres Jovens Negras discute racismo e tecnologia
Qual a relação entre a ancestralidade de jovens negras e a tecnologia atual? Como fazer esse diálogo entre passado e presente de forma a aperfeiçoar e instrumentalizar ideias e coletivos para o empoderamento dessas jovens? Essas e outras questões foram tema da 1ª Oficina de Comunicação do Projeto Mulheres Jovens Negras contra o Racismo e Sexismo (Hub das Pretas), realizada sábado passado em Brasília pelo Inesc em parceria com o Fórum de Juventude Negra DF. A oficina contou com a participação de 20 jovens negras e foi coordenada por Silvana Bahia, comunicadora social, mestre em Cultura e Territorialidades, colaboradora da plataforma Afroflix e coordenadora do Olabi Makerspace no Rio de Janeiro.
Entre uma e outra roda de conversa da oficina, Silvana discutiu sobre “Trajetória, Tecnologia e Inventividades Negras”, de forma com que as participantes dialogassem sobre suas vivências, as tecnologias e de que forma o racismo se dá dentro desses processos.
“A oficina teve que dialogar com a vivência de cada uma das jovens presentes, fazendo uma ponte entre a ancestralidade delas e a tecnologia atual”, afirma Layla Maryzandra, educadora social do Inesc e uma das organizadoras do evento. “As ferramentas de comunicação que temos hoje não surgiram do nada, elas têm uma ligação com o passado – e uma das ideias da oficina foi justamente fazer essa ponte entre passado e presente, lembrando a simbologia Sankofa.”
Discutiu-se também o contexto político do acesso às novas tecnologias e a desigualdade, a comunicação como ação afirmativa e a relação entre escolaridade/renda/acesso ao mundo digital.
O projeto Hub das Pretas reúne jovens mulheres negras de diversos coletivos, grupos culturais, religiosos e movimentos sociais do Distrito Federal e Entorno, e de outras três capitais (Criola, Fase e Ibase no Rio de Janeiro, Pólis, Oxfam Brasil e Ação Educativa em São Paulo e Fase em Recife), com o objetivo de fortalecê-los no ativismo digital contra o racismo e sexismo.