A quem serve o Banco Central?

Nos próximos dias, os diretores do Banco Central do Brasil se reunirão para decidir sobre a taxa de juros SELIC. Diante da fragilidade da economia brasileira, essa reunião é particularmente importante e deixará claro a quem o BC serve: à população brasileira ou ao mercado financeiro.

Como a própria instituição reconhece em suas publicações, nos últimos meses houve contração da demanda agregada e aumento no desemprego no Brasil. Uma nova rodada de aumento de taxa de juros significa que o Banco Central almeja abertamente uma contração maior da demanda, mais desemprego e mais redução do salário real médio.

O patamar elevado das taxas de juros em 2014 contribuiu para a desaceleração da economia, mas o novo ciclo de elevação de juros iniciado em outubro desse ano jogou o Brasil, em 2015, em uma recessão que ainda não deu mostras de reversão. Ao mesmo tempo, a taxa de inflação aumentou por causa de eventos únicos como a desvalorização cambial e o reajuste abrupto de preços administrados, cujo impacto não vai se repetir, muito menos sobre o núcleo da inflação brasileira.

Não há qualquer pressão de demanda excessiva que exija contenção com elevações da taxa de juros. Pelo contrário, experimentamos a maior recessão desde a Grande Depressão de 1929, podendo tornar-se a mais profunda da história republicana. O aumento acelerado do desemprego inviabiliza qualquer recuperação do salário real médio, que cai há vários meses. Sob qual pretexto o BC pretende reduzir ainda mais o nível de emprego e salários, assim como os lucros de empresas especializadas na produção de bens e serviços?

Os beneficiários exclusivos do aumento de juros são os bancos e investidores financeiros, curiosamente o único grupo cujas expectativas de inflação o Banco Central se preocupa em consultar. Como não há qualquer excesso de demanda que o aumento dos juros possa conter, a determinação dos juros SELIC deixa de servir para controlar a inflação e se transforma em um instrumento para preservar juros reais elevados para os portadores de títulos financeiros.

Isso nada contribui para reduzir a inflação, mas é um poderoso mecanismo de transferência de renda da parcela mais pobre e mais produtiva para a parcela mais rica e menos produtiva da população.

A economia brasileira e as finanças públicas não suportam mais financiar a bolsa-rentista que o Banco Central insiste em oferecer. Em 2015, os juros nominais devidos pelo setor público devem alcançar cerca de R$ 500 bilhões (meio trilhão de reais!), tendo registrado pouco mais de R$ 300 bilhões em 2014. Como exemplo desta situação vemos um corte brutal nas áreas sociais no orçamento da União.

O que pretende o Banco Central: produzir a maior recessão da história brasileira e uma trajetória explosiva da dívida pública, gerando mais desvalorização cambial e mais pressão inflacionária? A quem isso pode interessar?

É inadiável repensar o mandato do Banco Central e a porta giratória entre sua diretoria e o mercado financeiro.

Diante disso, o Fórum 21 e a Frente Brasil Popular vem a público denunciar a gravidade da situação econômica brasileira e a irresponsabilidade da política monetária do Banco Central do Brasil, reivindicando a redução urgente da taxa de juros SELIC.

Inesc vai a Porto Alegre participar do Fórum Social Temático 2016

A semana está movimentada em Porto Alegre (RS), com a realização do Fórum Social Temático 2016, evento preparatório ao Fórum Social Mundial que ocorrerá entre os dias 9 e 14 de agosto em Montreal, Canadá. De amanhã (terça-feira, 19/1) até sexta-feira (23/1), uma série de atividades reunirão ativistas, acadêmicos, pesquisadores, analistas e representantes de redes e organizações da sociedade civil para fazer um balanço das lutas anticapitalistas dos últimos anos e discutir os desafios das classes sociais populares.

A programação do Fórum Social Temático 2016 inclui atividades paralelas como o Fórum Social da Educação Popular (começou ontem 17/1 e termina amanhã, 19/1) e Atividades Autogestionadas, que vão até sábado (23/1). Veja programação completa.

O Inesc participará de diversas atividades no Fórum Social Temático 2016. José Antonio Moroni, do Colegiado de Gestão do Inesc, participou ontem (17/1) de mesa de debate sobre univeridade de educação popular e amanhã (19/1) estará em outra, para discutir o saber popular na produção de conhecimento – ambas atividades do Fórum Social Mundial da Educação Popular.

Na próxima quinta-feira (21/1), as assessoras políticas do Inesc Alessandra Cardoso e Grazielle David participarão de oficinas que discutirão temas como reforma tributária e a tributação do setor extrativista no Brasil no evento “Justiça Fiscal para um Mundo Melhor”, que será realizado no Sindicato dos Petroleiros de Porto Alegre. Grazielle participa de duas mesas: “Reforma Tributária com Justiça Fiscal”, na quinta-feira (21/1), a partir das 8h30; e “Transnacionais, Paguem o Justo”, na sexta-feira (22/1), também a partir das 8h30. Já Alessandra Cardoso discute “Tributação no Setor Extrativo” na quinta-feira (21/1), a partir das 8h30.

Outra assessora política do Inesc a participar do Fórum Social Temático 2016 é Cleo Manhas, que estará em mesa da atividade “Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis e o monitoramento da gestão pública: qual a relação da incidência no ciclo orçamentário e no plano de metas com o Direito à Cidade?” no dia 22/1, a partir das 11h30, na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre. Também integrarão a mesa do evento representantes da Rede Nossa São Paulo e do Movimento Nossa BH.

Cleo Manhas apresentará durante o evento o Orçamento Temático da Mobilidade Urbana do DF, lançado pelo Inesc em setembro de 2015.

Nossa Brasília apresenta Orçamento Temático de Mobilidade no Fórum Social Temático 2016

Qual a relação da incidência no ciclo orçamentário e no plano de metas com o direito à cidade? Integrantes da Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis vão responder a essa pergunta compartilhando suas experiências durante evento na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre. A atividade, marcada para sexta-feira (22/1), faz parte da programação das atividades autogestionadas do Fórum Social Temático 2016, que começa amanhã (terça-feira, 19 de janeiro) e vai até o próximo sábado (23/1).

O Fórum Social Temático 2016 é uma atividade preparatória do Fórum Social Mundial 2016 que ocorrerá entre os dias 9 e 14 de agosto em Montreal, no Canadá.

Cleo Manhas, do Movimento Nossa Brasília e assessora política do Inesc, apresentará o Orçamento Temático da Mobilidade Urbana, lançado em setembro de 2015 para monitorar o orçamento do governo do Distrito Federal relativo às políticas públicas de mobilidade urbana no DF.

Também participarão representantes da Rede Nossa São Paulo, que contribuiu para a aprovação, em 2008, do projeto de emenda à Lei Orgânica que obriga prefeitos a divulgar plano de governo detalhado até 90 depois de assumirem seus cargos, e prestar contas à população a cada seis meses. A Lei do Plano de Metas já foi aprovada em 41 cidades brasileiras.

Já o Movimento Nossa Belo Horizonte conseguiu com que a Câmara Municipal de Belo Horizonte realizasse audiências públicas para discutir o Plano Plurianual Governamental com a sociedade civil, além de realizar oficinas de capacitação para que a participação social fosse mais efetiva.

Confira a programação completa e mais detalhes sobre esse evento na página do Movimento Nossa Brasília.

Nossa Brasília apresenta Orçamento Temático de Mobilidade no Fórum Social Temático 2016

Qual a relação da incidência no ciclo orçamentário e no plano de metas com o direito à cidade? Integrantes da Rede Social Brasileira por Cidades Justas, Democráticas e Sustentáveis vão responder a essa pergunta compartilhando suas experiências durante evento na Câmara dos Vereadores de Porto Alegre. A atividade, marcada para sexta-feira (22/1), faz parte da programação das atividades autogestionadas do Fórum Social Temático 2016, que começa amanhã (terça-feira, 19 de janeiro) e vai até o próximo sábado (23/1).

O Fórum Social Temático 2016 é uma atividade preparatória do Fórum Social Mundial 2016 que ocorrerá entre os dias 9 e 14 de agosto em Montreal, no Canadá.

Cleo Manhas, do Movimento Nossa Brasília e assessora política do Inesc, apresentará o Orçamento Temático da Mobilidade Urbana, lançado em setembro de 2015 para monitorar o orçamento do governo do Distrito Federal relativo às políticas públicas de mobilidade urbana no DF.

Também participarão representantes da Rede Nossa São Paulo, que contribuiu para a aprovação, em 2008, do projeto de emenda à Lei Orgânica que obriga prefeitos a divulgar plano de governo detalhado até 90 depois de assumirem seus cargos, e prestar contas à população a cada seis meses. A Lei do Plano de Metas já foi aprovada em 41 cidades brasileiras.

Já o Movimento Nossa Belo Horizonte conseguiu com que a Câmara Municipal de Belo Horizonte realizasse audiências públicas para discutir o Plano Plurianual Governamental com a sociedade civil, além de realizar oficinas de capacitação para que a participação social fosse mais efetiva.

Confira a programação completa e mais detalhes sobre esse evento na página do Movimento Nossa Brasília.

Em entrevista, sociólogo português Boaventura de Sousa Santos diz que democratizar vai além do sistema político

Em entrevista concecida ao jornal Público, de Portugal, o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos afirma que existe hoje no mundo uma “forte pulsão anti-democrática” e que democratizar vai muito além do Estado e dos sistemas políticos. Segundo ele, é preciso “fazer pressão sobre os partidos políticos, os movimentos sociais, os governos e a administração pública e da justiça” para garantir o máximo de liberdade e condições de igualdade.

Confira abaixo a íntegra da entrevista:

Qual o papel dos cidadãos e dos seus movimentos na procura de uma boa governança?

A boa governança, no sentido utópico, está nos antípodas da concepção dominante de boa governança, a qual, no meu entender, tem um carácter distópico (aquilo que uma sociedade não deve desejar). Na tradição do pensamento liberal, governança era sinónimo de governo e este, enquanto gestão do bem comum, estava centrado no Estado. Obviamente, reconheciam-se muitas outras fontes e formas de governo parcial ou sectorial na sociedade, da família ao mercado, da sociedade civil à esfera pública. A partir dos anos noventa do século passado, com a emergência e consolidação do pensamento neoliberal, passou a entender-se que a gestão do bem comum não competia apenas ao Estado mas ao conjunto da sociedade, a qual devia organizar-se para esse efeito. Governança emergiu então como um conceito mais abrangente que o de governo. O conceito de boa governança sintetiza a ideologia do neoliberalismo: uma hostilidade geral à presença do Estado na regulação social e a sua substituição por mecanismos não estatais, nomeadamente o mercado; e a preferência pela regulação social nacional e internacional por via de mecanismos não coercitivos, voluntariamente assumidos (códigos de conduta, boas práticas, soft law). Esta ideia  surgiu em parte para que os países doadores e as agências financeiras internacionais (Banco Mundial e FMI) pudessem ser mais normativos e impor aos países necessitados de ajuda internacional  as chamadas condicionalidades, as políticas de ajustamento estrutural, de que Portugal, sob a troika, foi uma das mais recentes vítimas.

Como acontece em geral com os conceitos que circulam nas relações internacionais, a boa governança é uma ideia ambígua. Está repleta de normativas com as quais não podemos deixar de estar de acordo: transparência, prestação de contas, democracia, primado do direito e sistema de justiça independente e eficiente, liberdade de informação e de expressão. O problema reside em que estas normativas são concebidas como parte de um modelo político muito mais amplo que é imposto independente do que as populações dos países visados decidam por via democrática. Essas medidas incluem a privatização de serviços públicos essenciais (educação, saúde, segurança social, transporte público, água), a redução da despesa pública, sobretudo no domínio das políticas sociais, o financiamento de Estado por via de empréstimos e não de impostos progressivos. Trata-se da imposição do modelo de democracia liberal, contra o modelo de social-democracia que dominou na Europa desde 1945. E tudo isto é imposto por instituições, como o Banco Mundial e o FMI, em cujos estatutos se estabelece que são organizações apolíticas.

A verdadeira utopia do nosso tempo consiste em pensar e pôr em prática outras formas de governação da vida pública e privada que não se centrem na contraposição entre Estado e sociedade e antes na contraposição entre interesses, nos conflitos que eles geram e no modo de os resolver. E para salientar que a concepção que proponho não tem nada a ver com a que domina hoje em dia, falarei de boa governação em vez de boa governança. Respondo ao responder às perguntas seguintes.

A boa governança que concretize uma nova utopia deverá manter como eixo a democracia? Isto quando, a nível mundial, se vive um confronto entre autocracia e democracia, e a Europa se confronta com apelos securitários.

A boa governação é a ideia de governo público e privado radicalmente democrático. Democracia é todo o processo social, político e cultural por via do qual relações desiguais de poder são gradualmente substituídas por relações de autoridade partilhada. Democratizar é assim uma tarefa que está muito para além do Estado e do sistema político. Distingo cinco campos em que a democratização deverá ter lugar: o campo doméstico (relações entre homem e mulher, entre parceiros, entre filhos e pais), o campo da comunidade (relações de vizinhança, de solidariedade, da acção social e cultural), o campo da produção (relações no trabalho produtivo e na organização das empresas), o campo da  cidadania (relações no espaço público e no sistema político, dos partidos aos movimentos sociais, da administração pública às universidades, escolas, centros de investigação) e o campo mundial (relações entre países e entre estes e as organizações internacionais). Democratizar é um processo sem fim. À medida que esse processo avançar, os três grandes modos de dominação (relações desiguais de poder) contemporâneos — capitalismo, colonialismo e patriarcado — irão desaparecendo. Qualquer deles teve historicamente um princípio e é natural que tenha um fim. Democratizar inclui assim as ideias de desmercantilizar a vida e as relações sociais (uma economia de mercado é desejável, mas uma sociedade de mercado — em que tudo se compra e tudo se vende — é moralmente repugnante), descolonizar as relações sociais (lutar contra o racismo, a limpeza étnica, a islamofobia e a xenofobia) e despatriarcalizar (pondo termo ao sexismo e à homofobia).

Perante este vasto horizonte utópico há que ter em conta três ideias. A primeira é que a democracia não pode ser restringida a um modelo único, seja ele liberal ou não. Cada campo social tem seus modos próprios de democratizar (votação, consenso, rotação, etc.) e mesmo em cada um pode haver variação. Para além disso, as diferentes culturas obrigam a contextualizar interculturalmente a ideia de democracia. Para acomodar as culturas indígenas no país, a Constituição da Bolívia de 2009 consagra três tipos de democracia: representativa, participativa e comunitária. A segunda ideia é que actualmente, mesmo no campo em que se investiu mais na democratização (o campo da cidadania), vivemos um tempo com forte pulsão anti-democrática. Vivemos hoje em um sistema de democracia de baixa intensidade em que as classes populares estão cada vez mais à mercê da filantropia e em que o cidadão comum (e não apenas os imigrantes ou os cidadãos com outra cor de pele) é vigiado e tratado como se fosse “naturalmente” suspeito. Vivemos em sociedades politicamente democráticas mas socialmente fascistas. Não é só a deriva securitária (em si mesma grave, se conduzir à normalização do Estado de emergência ou de excepção); é tambem a erosão dos bens e serviços públicos e o facto de a democracia representativa estar a ser sequestrada pelo poder do dinheiro e pela corrupção endémica. Para a fortalecer é urgente transformar o sistema político de modo a que a democracia representativa seja complementada a todos os níveis pela democracia participativa. A terceira ideia é que a democracia enquanto horizonte utópico é uma tarefa urgente aqui e agora. As utopias modernas (a começar pela de Thomas More) nunca foram democráticas e foram sempre imaginadas para um não-tempo e não-espaço. A utopia que advogo é realista e concreta. Traduz-se em iniciativas concretas que visam diminuir aqui e agora a desigualdade de poder nas mais diversas relações sociais. Não se envergonha de dar pequenos passos desde que eles sejam conquistados vencendo a resistência de autoritarismos instalados. O seu horizonte é uma lente especial que tanto permite ver e querer ao longe como ver e actuar ao perto.

Qual o papel nessa nova utopia do binómio Liberdade-Igualdade?

Pelo menos a partir de Kant é possível distinguir entre liberdade negativa e liberdade positiva, uma distinção a que Isaiah Berlin dedicou importante trabalho. A liberdade negativa é a liberdade para agir sem obstáculos ou constrangimentos; a liberdade positiva é a capacidade de cada um agir de modo a ter controlo sobre a sua vida e atingir os seus objectivos. Ao contrário do pensamento liberal, não vejo nenhuma incompatibilidade entre os dois conceitos de liberdade. Vejo, pelo contrário, complementaridade. Mas para que esta seja possivel é necessário contemplar duas relações complementares entre liberdade e igualdade. A liberdade negativa pressupõe a igualdade formal, a igualdade de todos perante a lei, para o que são fundamentais os direitos cívicos e políticos. A liberdade positiva pressupõe a existência de condições que a permitam exercer, e para isso é necessária uma certa medida de igualdade material  (ausência de grande desigualdade social e de discriminação social e cultural). Nos últimos cinquenta anos essa medida foi garantida pelos direitos económicos, sociais e culturais (direito laboral; saúde, educação e segurança social públicas; reconhecimento da diversidade cultural). O reconhecimento e a concretização destes direitos só é possivel através de uma forte intervenção de Estado, o Estado social de direito.

E a luta pelos Direitos Humanos?

Os direitos humanos (DH) têm duas faces: a face distópica e a face utópica. A face distópica é dominante, é a que emerge do discurso dominante das agências internacionais sobre DH. De facto, a esmagadora maioria da população do mundo não é sujeito de direitos humanos; é objecto do discurso de DH das agências internacionais e das ONG que lhes estão próximas. É uma narrativa que se contenta em mencionar as consequências das violações dos DH sem nunca questionar as causas. A face utópica dos DH é a que emerge das lutas sociais pela dignidade, pelo direito à saúde, à educação e à segurança social, pelo direito ao trabalho com direitos, pelo direito das mulheres ao seu corpo, pelo direito à terra e à água, pelos direitos colectivos dos povos indígenas e camponeses da África, da Ásia e das Américas ameaçados de expulsão das suas terras e da contaminação das suas águas por parte empresas mineiras, de agricultura industrial e de exploração de madeira. Muitos deste DH não são reconhecidos pela face distópica dos DH. Em sua face utópica, os DH têm duas características. Por um lado,  não se limitam às relações entre humanos; incluem também as relações entre os humanos e a natureza. O art. 71 da Constituição do Equador de 2008 consagra os direitos da natureza. É a utopia em forma constitucional. Por outro lado, os DH não se imaginam sem os correspondentes deveres humanos e, nessa medida, assumem um carácter intercultural, uma vez que a cultura ocidental moderna é a única que dá total prevalência aos direitos humanos sobre os deveres humanos. Este desequilíbrio de DH acaba de ser tragicamente demonstrado na Cimeira do Clima que se realizou recentemente em Paris.

Qual o papel da justiça nessa boa governança?

O papel fundamental da justiça é assumir plenamente a sua quota de responsabilidade na concretização da liberdade tanto negativa como positiva e das condições de igualdade que elas pressupõem. Para isso não basta ser gratuita, livre, independente; é necessário que os magistrados sejam treinados em faculdades de direito a criar no futuro onde a técnica jurídica seja uma arma democrática e não, como agora, uma arma burocrática, onde a liberdade e a igualdade, os direitos e os deveres sejam o núcleo central do plano de estudos.

Qual é a sua utopia?

A minha utopia bem concreta é que os leitores do Público comecem a discutir estas ideias e todas as outras que sejam suscitadas por elas e que, a partir dessa discussão, se organizem em Círculos Políticos do Viver Bem a que Todas e Todos Temos Direito para, a partir deles, fazer pressão sobre os partidos políticos, os movimentos sociais, os governos e a administração pública e da justiça para que garantam o máximo possível de liberdade negativa e positiva e as condiçoes de igualdade que pressupõem.

Quem paga mais impostos no Brasil, o cidadão comum ou uma grande mineradora?

A pergunta do título desta publicação poderia ter uma resposta simples e direta. O problema é que ninguém sabe ao certo quanto as grandes mineradoras em atuação no Brasil realmente pagam em tributos. É tanta isenção, desconto e outras estripulias tributárias que o real valor do que elas pagam para explorar as abundantes riquezas minerais brasileiras se torna um grande mistério.

Ao longo do ano passado, o Inesc publicou três notas técnicas que jogam alguma luz nesse cipoal tributário envolvendo algumas das maiores empresas do mundo, como a Vale e a BHP Billiton – responsáveis pela Samarco, empresa que teve barragens rompidas em Bento Rodrigues, distrito de Mariana (MG), causando uma das maiores tragédias socioambientais do país. Os estudos revelam, entre outras coisas, que a região amazônica é hoje um paraíso extrativista e tributários para grandes multinacionais da mineração, que a atividade dessas empresas no Brasil fragiliza a política pública de saúde, e que o regime tributário aplicado para as atividades de mineração no Brasil é uma das mais injustas do mundo.

Assista ao Quiz Show e descubra como estamos sendo pilhado há anos, com graves prejuízos ao país:

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Incentivos Fiscais para o desenvolvimento da Amazônia ou para o lucro das empresas?

Incentivos Fiscais na Amazônia: o que está em jogo?

Consulta pública define prioridades de Plano de Ação para tornar governo mais transparente

Está em construção o 3º Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto (OGP) no Brasil, com consulta pública aberta até o dia 11 de fevereiro para definir os temas prioritários do documento que indica o que deve ser feito para tornar o governo mais transparente, participativo e responsivo à sociedade. A conclusão do plano, que terá duração de dois anos, está prevista para julho de 2016.

A metodologia do Plano de Ação da Parceria para Governo Aberto prevê a instituição de cinco temas que devem ser debatidos em oficinas especializadas, compostas por representantes do governo e da sociedade civil. Dessas oficinas saem os compromissos concretos do país para se tornar mais transparente.

Saiba como participar.

OGP lança programa piloto para governos subnacionais

A Parceria para Governo Aberto (OGP) está lançando um novo programa piloto para envolver de forma proativa governos subnacionais na iniciativa. O objetivo é buscar a participação de governos subnacionais com comprometimento político, assim como parceiros da sociedade civil engajados no tema para avançar nas reformas de governo aberto.

Veja os objetivos principais do programa.

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