Direita concentra 56,6% das candidaturas com referência religiosa no nome de urna

09/09/2026, às 14:00 | Tempo estimado de leitura: 7 min
Estudo do Inesc e do Common Data identifica 445 candidaturas com termos religiosos no nome de urna

Homens, candidatos a deputado estadual, pastores e filiados a partidos de direita predominam entre as 445 candidaturas que utilizam referências religiosas no nome de urna nas eleições de 2026. O grupo corresponde a 2,2% das 20.448 candidaturas registradas no país. Entre os nomes identificados, 295 (66,3%) são de homens, 285 (64%) utilizam o termo pastor ou suas variações e 252 (56,6%) concorrem por partidos classificados como de direita. Os dados integram um estudo da série Perfil do Poder, produzido pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) em parceria com o Common Data.

A concentração também aparece nos cargos em disputa. Das 445 candidaturas mapeadas, 229 (51,5%) concorrem a deputado estadual e 181 (40,7%) a deputado federal. Juntas, as duas categorias reúnem 92,2% do universo identificado. Na distribuição regional, o Nordeste concentra 151 candidaturas (33,9%), seguido pelo Sudeste, com 144 (32,4%).

“O nome de urna funciona como uma forma de apresentação da candidatura ao eleitor. Quando uma referência religiosa é incorporada a esse nome, ela passa a integrar a identidade política mobilizada na disputa. Os dados permitem observar quem utiliza esse recurso, em quais partidos e para quais espaços de poder”, afirma Carmela Zigoni, assessora política do Inesc.

Pastores são maioria

Pastor é, com ampla diferença, a referência religiosa mais frequente. O termo e suas variações aparecem em 285 candidaturas, equivalentes a 64% do grupo. Na sequência estão irmão, com 42 registros (9,4%); missionário, com 39 (8,8%); bispo, com 31 (7%); mãe, com 16 (3,6%); e apóstolo e padre, ambos com 11 candidaturas (2,5% cada). Também foram identificadas referências a capelão, profeta, diácono, frei, pai/terreiro, pastoral, reverendo e terreiro.

O uso de uma referência religiosa no nome de urna não se restringe às candidaturas que declararam uma ocupação religiosa ao TSE. Entre as 445 candidaturas, 41 (9,2%) também informaram como ocupação ser sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa, enquanto 404 (90,8%) declararam outras ocupações. Considerando apenas a ocupação informada à Justiça Eleitoral, 70 das 20.448 candidaturas (0,34%) declararam pertencer à categoria de sacerdote ou membro de ordem ou seita religiosa. Desse grupo, 41 também utilizaram no nome de urna um termo associado à religião.

Entre as 70 candidaturas que declararam ocupação religiosa, 53 são de homens e 17 de mulheres. No recorte político-partidário, são 45 candidaturas de direita, 14 de centro e 11 de esquerda. Metade concorre a deputado estadual e 40% a deputado federal.

Entre as 445 candidaturas que utilizam referência religiosa no nome de urna, a direita reúne 252 registros (56,6%), a esquerda, 97 (21,8%), e o centro, 96 (21,6%). No conjunto de todas as candidaturas de 2026, os partidos classificados como de direita concentram 52,3% dos registros, a esquerda, 28,6%, e o centro, 19,1%.

Em números absolutos, o MDB reúne 39 candidaturas com referência religiosa no nome de urna, o maior número entre os partidos. Proporcionalmente, o PRTB apresenta a maior participação: uma de suas dez candidaturas, ou 10%, utiliza referência religiosa no nome de urna. PCB, PCdoB, PCO, PSTU e UP não possuem candidaturas dessa categoria.

A distribuição geográfica também revela diferenças entre números absolutos e participação dentro de cada estado. São Paulo lidera em quantidade, com 51 candidaturas (11,5% das 445), seguido pelo Rio de Janeiro, com 50 (11,2%), Pernambuco, com 34 (7,6%), Bahia, com 33 (7,4%), e Minas Gerais, com 29 (6,5%). Quando se considera a proporção em relação ao total de candidaturas de cada unidade da Federação, Sergipe ocupa a primeira posição, com 5%. Piauí aparece em seguida, com 4,7%, e Mato Grosso, com 4,1%. Santa Catarina tem a menor proporção, de 0,7%.

Comparação com 2022

Na comparação com as eleições gerais de 2022, a participação das candidaturas com referência religiosa no nome de urna caiu de 2,7% para 2,2% do total nacional, redução de 0,5 ponto percentual. A composição do grupo, porém, mudou. A presença de mulheres passou de 28% para 33,7%. A participação das candidaturas de direita recuou de 67,5% para 56,6%, enquanto a esquerda avançou de 14,6% para 21,8% e o centro passou de 17,8% para 21,6%.

Também houve mudança nos cargos buscados. A parcela de candidaturas a deputado federal dentro desse universo passou de 33,3% em 2022 para 40,7% em 2026, alta de 7,4 pontos percentuais. Já a participação das candidaturas a deputado estadual caiu de 60,6% para 51,5%, recuo de 9,1 pontos. Em 2026, não há candidaturas com referência religiosa no nome de urna para presidente ou governador, diferentemente de 2022.

Metodologia

A pesquisa utiliza dados do repositório do Tribunal Superior Eleitoral acessados em 16 de agosto de 2026, às 12h30. A metodologia foi desenvolvida em 2022 no âmbito da parceria entre Inesc e Common Data e replicada em 2024. Para a análise dos nomes de urna em 2026, foram pesquisados 20 termos ligados à religiosidade. Todos os registros encontrados passaram por conferência individual para verificar se a referência estava efetivamente relacionada à religião e atendia aos critérios estabelecidos pela metodologia.

Categoria: Notícia
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