Foi lançado nesta quinta-feira (26) o Observatório da Transição Energética, uma plataforma digital criada para acompanhar, analisar e dar transparência aos impactos sociais, econômicos e ambientais do processo de transição energética no Brasil.
A iniciativa é fruto de parceria entre a Repórter Brasil, o PoEMAS (Grupo de Pesquisa e Extensão Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade) e o Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos), com apoio da Fundação Ford. O projeto teve a colaboração também da Rainforest Investigations Network (Pulitzer Center).
O Observatório reúne reportagens, bases de dados e conteúdos que buscam ampliar o debate público sobre a expansão de projetos ligados à transição energética — como exploração de chamados “minerais críticos” e geração de energia renovável — e seus efeitos sobre territórios, comunidades e políticas públicas.
Na plataforma, o usuário encontrará diversas possibilidades de cruzamentos de dados, de forma acessível e intuitiva, para identificar por conta própria territórios de interesse socioambiental potencialmente impactados por estruturas associadas à transição energética. Para isso, a ferramenta cruza os dados de geolocalização de atividades econômicas, por um lado, com os de territórios protegidos, por outro.
São listados quatro tipos de empreendimentos de energia renovável: usinas eólicas, usinas solares fotovoltaicas, linhões de transmissão de alta tensão e áreas de exploração dos minerais para eletrificação. Também são considerados quatro diferentes territórios de interesse socioambiental: terras indígenas, territórios quilombolas, unidades de conservação e assentamentos de reforma agrária.
A plataforma pretende funcionar como um espaço de monitoramento permanente, oferecendo informações qualificadas para pesquisadores, jornalistas, gestores públicos e sociedade civil interessados em compreender os desafios e riscos associados ao atual modelo de transição energética no país.
Justiça na Transição Energética
“Mais do que um espaço de denúncia, o Observatório da Transição Energética funciona como uma ferramenta de monitoramento e prevenção, permitindo que comunidades e movimentos sociais possam se antecipar e se organizar antes que os projetos se consolidem”, explica o pesquisador Bruno Milanez, professor da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) e um dos coordenadores do projeto Justiça na Transição Energética, iniciativa do Inesc e do PoEMAS.
Em muitos casos, as empresas iniciam atividades de forma pouco transparente, omitindo os impactos potenciais das operações sobre o meio ambiente e os modos de vida locais. O Observatório surge justamente para reduzir essa assimetria de informação e poder.
“A ferramenta organiza e cruza dados dispersos de diferentes atividades econômicas com os territórios e populações tradicionais. Permite ver os dados agrupados, que antes apareciam de forma isolada, o que ajuda a entender o tamanho da pressão sobre os territórios. Dá para ver isso no mapa”, explica o editor sênior da Repórter Brasil e um dos coordenadores do Observatório, Diego Junqueira.
Segundo a ferramenta, empreendimentos relacionados à transição energética já afetam cerca de um terço dos territórios protegidos no Brasil. Com a expansão dos projetos previstos, mais da metade das unidades de conservação e áreas ocupadas por comunidades tradicionais podem ser impactadas.
Além de servir às comunidades diretamente afetadas, a plataforma também poderá ser utilizada por organizações não governamentais, pesquisadores e jornalistas interessados em compreender os impactos cumulativos de diferentes empreendimentos e setores sobre um mesmo território, um tipo de análise que governos federais e estaduais têm historicamente se recusado a realizar.
“O acesso à informação ambiental ainda é um direito muito precário no Brasil. Entender as sobreposições da ocupação do território pode mitigar conflitos, garantindo uma representatividade mais eficiente das comunidades ali presentes. Isso também viabiliza um melhor acompanhamento do planejamento das políticas energéticas do país. Com o mapa interativo do Observatório da Transição Energética, buscamos contribuir para o aprimoramento da compreensão do uso do território brasileiro e suas contradições, bem como apontar para os caminhos de uma transição energética mais justa”, explica o assessor político do Inesc Rárisson Sampaio e um dos coordenadores do projeto Justiça na Transição Energética.
Os dados que embasam a plataforma foram compilados a partir de bases públicas, com extração e análise de informações feitas pela Repórter Brasil e o Studio Cubo, em parceria com o grupo PoEMAS. A programação é do Studio Cubo e o design, de Rodrigo Bento.
Conheça a plataforma: http://observatorio.reporterbrasil.org.br/
Repórter Brasil é uma organização não governamental brasileira independente fundada em 2001 por um grupo de jornalistas, cientistas sociais e educadores com o objetivo de fomentar a reflexão e ação sobre a violação aos direitos fundamentais dos povos e trabalhadores no Brasil.
Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) uma organização não governamental, sem fins lucrativos, não partidária e com sede em Brasília. Há mais de 40 anos atuamos politicamente junto a organizações parceiras da sociedade civil e movimentos sociais para ter voz nos espaços nacionais e internacionais de discussão de políticas públicas e direitos humanos, sempre de olho no orçamento público.
Grupo Política, Economia, Mineração, Ambiente e Sociedade (PoEMAS) é um grupo de pesquisa e extensão multidisciplinar e interinstitucional formado por acadêmicos que se propõem a refletir sobre as múltiplas interfaces entre o setor extrativo mineral e a sociedade.

O Inesc, integrante da coordenação da Rede de Justiça Fiscal para a América Latina e o Caribe, que, por sua vez, compõe a Aliança Global pela Justiça Fiscal, participou ativamente dessa quarta rodada de negociações em Nova York, realizando intervenções no plenário e contribuindo em eventos paralelos organizados pela sociedade civil.
“Ao longo do projeto, foram realizadas 13 oficinas em cada região, organizadas em cinco eixos temáticos: raça, gênero e interseccionalidade; direitos humanos e políticas públicas; direito à cidade e à cultura; orçamento público e direitos humanos; e metodologia de pesquisa em educação popular”, explica Thallita Oliveira, assessora política do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos). De acordo com ela, as atividades buscaram articular teoria e prática, sempre partindo das vivências dos territórios e das realidades dos jovens participantes.
“O Grito das Periferias mostrou que a nossa voz tem valor. O projeto foi um espaço de formação, escuta e fortalecimento coletivo, que me ajudou a compreender meus direitos, ganhar confiança para ocupar espaços de participação política e transformar a minha história, e a do meu território, em força e resistência”, afirma Aline Lopes de Souza, moradora do Itapoã e participante do projeto.
“O Grito das Periferias aproximou a política do nosso cotidiano e mostrou que ela é uma ferramenta real de luta e transformação. Como jovem da Ceilândia, encontrei um espaço de formação política feito com escuta, afeto e responsabilidade social, que fortaleceu minha confiança, o valor da minha voz e o sentimento de pertencimento à periferia”, destaca Raquel Adla Freitas de Aguiar, participante do projeto.
“O Grito das Periferias rompe com a lógica que trata a periferia como número e coloca nossas vozes no centro. Para mim, foi um processo transformador, que ampliou minha consciência política, fortaleceu minha atuação cultural e reafirmou meu compromisso com a defesa dos direitos humanos na Cidade Estrutural. É um espaço de escuta, formação e fortalecimento coletivo, que valoriza os saberes do território e mostra que é possível ocupar espaços de decisão e lutar por políticas públicas mais justas”, afirma Ronnalty Cordeiro
Para Thallita, o projeto foi fortalecido pelas parcerias construídas nos territórios:
O projeto teve como objetivo fortalecer a capacidade de jovens para monitorar políticas públicas e incidir junto ao poder público do DF, contribuindo para o aumento da transparência fiscal e para a ampliação de recursos destinados às populações historicamente vulnerabilizadas. Mais do que lidar com dados e números, o processo colocou a juventude no centro da produção de narrativas sobre suas próprias realidades. “Mais do que dados e números, o Mapa é transformação, é voz, é luta e é a potência da juventude periférica construindo narrativas sobre suas próprias realidades”, sintetiza Markão Aborígine, educador social do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos).
Ao todo, foram realizadas 11 oficinas de formação em orçamento, direitos e políticas públicas; duas oficinas de educomunicação; seis oficinas de análise de dados e pesquisa; dois saraus político-culturais e uma audiência pública. O projeto formou 30 jovens, dos quais 15 passaram a compor um Comitê de Monitoramento do Orçamento Público, Transparência e Direitos Humanos, com ênfase nas políticas de educação, mobilidade urbana, raça e gênero do DF. “Este Comitê, apoiado pela equipe do Inesc, foi responsável pela análise dos dados que deram origem ao Mapa e definiram as ações de incidência e territoriais ao longo do projeto”, explica Cristiane Ribeiro, do colegiado de gestão do Inesc. 
A Rede de Pesquisa sobre Militarização da Educação no Brasil (RePME) e o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) convidam você para participar do II Seminário Nacional “Conservadorismos e Militarização da Escola Pública: desafios para a educação brasileira”.


O Inesc esteve presente em todo o processo de construção da 2ª Marcha das Mulheres Negras, contribuindo politicamente e institucionalmente para sua realização.


O encerramento foi marcado pela entrega ao presidente da COP 30 da