Em 2026, as urnas eletrônicas completam 30 anos de uso no Brasil. Às vésperas de mais uma eleição, conhecer como funciona o sistema eletrônico de votação e buscar informações em fontes confiáveis são passos importantes para combater a desinformação e fortalecer a participação democrática.
Por isso, a campanha Perifa nas Urnas, desenvolvida por jovens que participam de projetos e formações lideradas pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), reuniu alguns dos principais mitos e verdades sobre as urnas eletrônicas.
O conteúdo tem como base informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e busca ajudar eleitoras e eleitores — especialmente adolescentes e jovens — a reconhecer informações falsas sobre o processo eleitoral.
As urnas eletrônicas são seguras?
Um dos boatos recorrentes em períodos eleitorais é o de que já teriam sido comprovadas fraudes capazes de alterar o resultado das eleições brasileiras. Isso é mito: em 30 anos de utilização do voto eletrônico, não houve comprovação de fraude capaz de alterar resultados eleitorais produzidos pelas urnas.
As urnas eletrônicas foram adotadas justamente para reduzir vulnerabilidades existentes no antigo sistema de votação e apuração manual. Antes delas, a contagem dos votos podia levar dias ou semanas e estava sujeita, por exemplo, a erros no preenchimento das cédulas e a tentativas de manipulação durante a contagem. Com o sistema eletrônico, a apuração passou a ser automatizada.
A segurança das urnas eletrônicas tem diferentes camadas
Outro mito que costuma desinformar diz que as urnas eletrônicas funcionariam sem mecanismos suficientes de segurança. Isso não é verdade. O processo conta com diferentes camadas de proteção, que vão desde o desenvolvimento dos programas utilizados nas eleições até a totalização dos resultados. Entre os mecanismos estão assinatura digital, criptografia, lacramento dos sistemas e testes públicos de segurança.
O sistema também passa por aperfeiçoamentos. Nos últimos ciclos eleitorais, foram ampliados o acesso ao código-fonte, os Testes Públicos de Segurança e a publicação de arquivos relacionados ao processo eleitoral.
É possível fiscalizar as urnas eletrônicas?
Sim. A afirmação de que ninguém pode fiscalizar as urnas eletrônicas também é falsa.
O processo eleitoral prevê mais de 40 oportunidades de auditoria ao longo de cada ciclo. Entre as instituições e organizações que podem participar da fiscalização estão partidos políticos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Polícia Federal, Congresso Nacional e entidades da sociedade civil.
Os procedimentos técnicos e jurídicos do sistema também buscam assegurar que o voto registrado seja exatamente aquele contabilizado na apuração, preservando, ao mesmo tempo, o sigilo da escolha de cada pessoa.
Acessibilidade – Nosso sistema digital de votação possui recursos para ampliar a acessibilidade e permitir que diferentes pessoas possam exercer o direito ao voto. Entre eles estão teclas em braile, saída de áudio para fones de ouvido, sintetizador de voz e intérprete de Libras na tela.
Desinformação sobre urnas eletrônicas também ameaça a democracia
Em períodos eleitorais, conteúdos falsos ou retirados de contexto podem gerar dúvidas e enfraquecer a confiança da população no processo democrático. Por isso, antes de acreditar ou compartilhar informações sobre urnas eletrônicas e eleições, é importante verificar sua origem.
A recomendação é dar preferência a fontes oficiais, como o TSE e a Justiça Eleitoral, e desconfiar de prints, áudios e vídeos sem fonte ou apresentados fora de contexto. Na dúvida, não compartilhe antes de verificar.
Combater a desinformação também é uma responsabilidade coletiva. Informação confiável ajuda eleitoras e eleitores a tomarem decisões conscientes e fortalece a participação política.
Perifa nas Urnas: juventude, informação e participação política
Este conteúdo integra a campanha Perifa nas Urnas, lançada pelo Inesc para as eleições de 2026 no Distrito Federal. A iniciativa busca fortalecer o voto consciente, combater a desinformação e fazer com que as reivindicações das juventudes periféricas estejam presentes na agenda das candidaturas.
A campanha combina educação política e mobilização. Além de conteúdos sobre o sistema político, o papel de representantes eleitos e o funcionamento das eleições, a Perifa nas Urnas apresenta uma Carta Manifesto com propostas construídas coletivamente por adolescentes e jovens negras, negros, periféricas e periféricos do DF. As propostas abordam temas como saúde, educação, mobilidade urbana, segurança cidadã, cultura, esporte, lazer, meio ambiente e combate às desigualdades territoriais e raciais.
