Brasil gastou cinco vezes mais com juros da dívida do que com investimentos públicos em 2025

14/04/2026, às 6:00 (updated on 14/04/2026, às 17:21) | Tempo estimado de leitura: 7 min
Está no ar o relatório Orçamento e direitos: balanço da execução de políticas públicas (2025), que analisa os gastos do governo federal sob a ótica dos Direitos Humanos.
Imagem apresentando um mapa em amarelo, escrito Orçamento e Direitos: balanço da execução de políticas públicas 2025. No relatório
Imagem: Inesc

Destaques:

  • Brasil gastou 5 vezes mais com juros da dívida do que com investimentos públicos em 2025
  • Pagamento de juros chegou a R$ 371,7 bilhões
  • Investimentos federais somaram apenas R$ 70,8 bilhões
  • Renúncias fiscais atingiram R$ 544,5 bilhões
  • Regras fiscais e juros altos limitaram políticas sociais

Os gastos realizados pelo Governo Federal em áreas sociais, ambientais e de promoção de direitos humanos apresentaram avanços em 2025, mas permaneceram limitados por regras fiscais restritivas, pela expansão dos gastos financeiros (pagamento de juros da dívida interna) e das emendas parlamentares.

Essa análise faz parte do relatório “Orçamento e Direitos: Balanço da Execução de Políticas Públicas (2025)”, principal publicação anual do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que examina a execução orçamentária do Governo Federal no ano de 2025 e apresenta projeções para 2026. O estudo reúne análises de nove áreas acompanhadas pela organização: panorama econômico, educação, cidades, transição energética, meio ambiente e clima, quilombolas, igualdade racial, mulheres e crianças e adolescentes.

Veja destaques: 

Mais juros, menos investimentos

O Brasil destinou cinco vezes mais recursos ao pagamento de juros da dívida pública do que a investimentos em infraestrutura e políticas públicas em 2025. Segundo o estudo, o governo federal gastou R$ 371,7 bilhões com juros da dívida, enquanto os investimentos públicos somaram apenas R$ 70,8 bilhões, cerca de 20% desse valor. As despesas totais da União ficaram na casa dos R$ 5,39 trilhões.  

Regras fiscais limitam políticas sociais

Apesar de avanços em áreas sociais, ambientais e de direitos humanos, o relatório aponta que o crescimento dessas políticas foi limitado por regras fiscais restritivas, como o Novo Arcabouço Fiscal.

A maior parte dos gastos primários federais é composta por despesas obrigatórias, que incluem aposentadorias, os pisos constitucionais de saúde e educação e salários do funcionalismo. A execução desses gastos é vinculada a regras legais, o que impede que sejam facilmente reduzidos. 

O espaço restante são as chamadas despesas discricionárias – aquelas destinadas a investimentos e à execução de políticas públicas, sobre as quais o governo tem maior margem de decisão

É justamente sobre essas despesas que recaem os principais ajustes do Novo Arcabouço Fiscal (NAF), regra em vigor desde 2023 que substituiu o Teto de Gastos. Resultado: em 2025, as despesas discricionárias somaram R$ 112 bilhões, cerca de um terço do valor gasto com juros (R$ 371 bilhões)..

Emendas parlamentares alteram dinâmica do orçamento

As emendas parlamentares totalizaram R$ 45 bilhões em 2025, representando cerca de 20% das despesas discricionárias.

Parte desses recursos foi transferida por meio das chamadas “emendas Pix”, que somaram quase R$ 7 bilhões e são alvo de críticas pela falta de transparência na aplicação.

Renúncias fiscais superam investimentos

Outro ponto de destaque do relatório são os gastos tributários  valores que o governo deixa de arrecadar ao conceder benefícios e isenções tributárias. Em 2025, essas renúncias atingiram R$ 544,5 bilhões — valor mais de sete vezes superior aos investimentos públicos federais.

“Essas renúncias raramente passam por avaliações sobre sua efetividade econômica ou social e continuam representando uma parcela enorme dos recursos que o Estado deixa de arrecadar”, avalia Teresa Ruas, assessora política do Inesc.

Orçamento público e desigualdade

Para o Inesc, a combinação de juros elevados, regras fiscais rígidas e renúncias tributárias limita a capacidade do Estado de financiar políticas públicas e reduzir desigualdades.

“Os recursos existem, mas estão comprimidos por regras fiscais austeras e são mal tributados e mal distribuídos”, conclui a organização.

Resumo das recomendações do relatório do Inesc 2025

 

  • Superar regras fiscais rígidas que limitam despesas primárias e comprimem políticas públicas;
  • Reduzir estruturalmente o peso dos juros no orçamento público;
  • Reequilibrar o orçamento, limitando emendas parlamentares e fortalecendo o planejamento público;
  • Aumentar transparência, rastreabilidade e avaliação das emendas, especialmente as transferências especiais;
  • Ampliar a progressividade tributária, com maior taxação de altas rendas, grandes patrimônios, lucros e dividendos;
  • Reduzir a carga tributária sobre consumo e trabalho;
  • Criar avaliação periódica obrigatória dos incentivos fiscais, eliminando benefícios ineficientes;
  • Fortalecer a cooperação internacional para justiça tributária e combate à evasão fiscal;
  • Atuar com países do Sul Global por regras mais justas na tributação global.

 

ACESSE  AQUI O RELATÓRIO COMPLETO

 

Veja mais destaques do relatório sobre os temas: 

Educação
Cidades
Transição energética
Meio Ambiente e Clima
Quilombolas
Igualdade racial
Mulheres
Crianças e Adolescentes

Categoria: Notícia
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