Orçamento ambiental avança em 2025, mas limitações fiscais ainda restringem políticas climáticas

14/04/2026, às 6:00 (updated on 14/04/2026, às 16:43) | Tempo estimado de leitura: 8 min
Orçamento ambiental cresce, mas limites fiscais e baixa priorização ainda restringem políticas climáticas no Brasil, aponta relatório do Inesc 2025.
Imagem de um brigadista combatendo incêndio em floresta. Imagem ilustra o tópico Meio Ambiente no Relatório Inesc 2025
Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil

Destaques 

  • Orçamento ambiental federal cresceu em 2025, mas segue abaixo do necessário
  • Despesas discricionárias aumentaram cerca de 15%
  • Até 90% dos fundos ambientais permanecem contingenciados
  • Fiscalização e combate a incêndios tiveram aumento relevante de recursos
  • Especialistas apontam necessidade de fortalecer o financiamento climático público

O orçamento ambiental federal apresentou crescimento em 2025, mas continua limitado diante da escala dos desafios climáticos no Brasil. Dados do relatório “Orçamento e Direitos: balanço da execução de políticas públicas (2025)”, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), mostram avanços na execução financeira, porém com restrições estruturais relevantes.

Execução orçamentária cresce, mas segue insuficiente

A execução financeira dos órgãos ambientais ligados ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima chegou a R$ 4,15 bilhões em 2025, acima dos R$ 3,73 bilhões em 2024.

Apesar do aumento, o estudo destaca que o financiamento ainda é insuficiente para garantir políticas ambientais robustas.

“Os números mostram uma melhora, mas ainda insuficiente diante dos desafios climáticos e ambientais que o país enfrenta”, aponta o relatório.

Despesas obrigatórias são dominadas por gastos com pessoal

As despesas obrigatórias cresceram de R$ 1,95 bilhão (2024) para R$ 2,11 bilhões (2025). Cerca de 84% desses recursos são destinados ao pagamento de pessoal, refletindo a recomposição do quadro técnico.

Em 2025, foram registrados 986 novos servidores ambientais, frente a 212 no ano anterior.

Aumento das despesas discricionárias

As despesas discricionárias — essenciais para a execução de políticas públicas — cresceram cerca de 15%, passando de R$ 1,54 bilhão para R$ 1,77 bilhão.

Mesmo assim, esses gastos continuam pressionados pelas regras do novo arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas primárias.

Avanços no combate a incêndios e fiscalização ambiental

O relatório aponta melhora significativa na execução financeira em ações estratégicas:

  • Combate a incêndios florestais (Ibama):
    • R$ 202,65 milhões em 2025
    • R$ 126 milhões em 2024
    • Crescimento de aproximadamente 61% 
    • O reforço contou, em parte, com créditos extraordinários (R$ 148 milhões), utilizados para ampliar a capacidade de atuação preventiva de combate a incêndios florestais.
  • Fiscalização ambiental voltada ao combate ao desmatamento (Ibama e ICMBio):
    • R$ 533 milhões em 2025
    • R$ 440 milhões em 2024
    • Crescimento real de cerca de 21%

Federalismo climático ganha espaço

A iniciativa União com Municípios, apoiada pelo Fundo Nacional do Meio Ambiente (FNMA), é destacada como um exemplo positivo.

“Houve uma boa capacidade de articulação institucional com vistas à mobilização de recursos, dentro e fora do orçamento público, para viabilizar arranjos de financiamento que, na prática, podem ser entendidos como um bom experimento de federalismo climático”, aponta o relatório.

Contudo, é importante destacar que o FNMA conta com uma dotação orçamentária bastante limitada. Embora receba 50% das multas ambientais, o Fundo enfrenta severas restrições fiscais: entre 80% e 90% dos recursos ficam contingenciados anualmente para o pagamento da dívida pública. Como vem sendo apontado pelo Inesc, essa situação impede a ampliação de mecanismos de apoio financeiro aos demais entes federativos.

Bioeconomia e inclusão social avançam

O programa Bolsa Verde, principal política federal de pagamento por serviços ambientais, também registrou crescimento:

  • R$ 168,54 milhões executados em 2025, ligeiramente acima dos R$ 128,70 milhões registrados em 2024 (aproximadamente 31% de aumento).
  • 138.508 famílias beneficiadas em 2025, frente as 126.922 famílias registradas no ano anterior (alta de aproximadamente 9% em relação a 2024)

Financiamento climático ainda é limitado

Apesar da expansão do Fundo Clima em operações reembolsáveis via BNDES, a parcela não reembolsável – voltada diretamente ao financiamento de políticas públicas – continua bastante limitada. 

Em 2025, a ação de fomento a estudos e projetos para mitigação e adaptação à mudança do clima registrou execução de R$ 3,98 milhões, valor inferior aos R$ 5,22 milhões executados em 2024. 

Desafios estruturais persistem

Segundo o Inesc, os avanços ocorreram dentro de limites fiscais rígidos e com baixa priorização orçamentária.

“Os avanços observados ocorreram dentro de limites severos impostos pelas regras fiscais e pela baixa priorização orçamentária da agenda ambiental”, destaca a análise.

Especialistas alertam que, sem ampliação de recursos e maior coordenação entre os entes federativos, o Brasil terá dificuldades para implementar estratégias climáticas estruturais e efetivas.

Recomendações do relatório

 

  • Fortalecer o federalismo climático com mecanismos permanentes de financiamento público
  • Garantir transferências regulares de recursos da União para estados e municípios, com metas e transparência
  • Consolidar o financiamento público da agenda ambiental e climática, especialmente para o Plano Clima
  • Proteger recursos ambientais das restrições do atual arcabouço fiscal
  • Vincular emendas parlamentares a critérios de governança climática
  • Ampliar iniciativas como União com Municípios e Adapta Cidades
  • Direcionar mais recursos do FNMA e do Fundo Clima para ações estruturantes

 

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