Desde o primeiro semestre de 2026, cientistas e pesquisadores que acompanham o clima estão emitindo um alerta claro: as mudanças climáticas estão intensificando os padrões climáticos globais e podemos enfrentar um Super El Niño ainda neste ano. Longe de ser um exagero, esse fenômeno afeta diretamente a economia, a segurança social e a forma como consumimos energia.
Mas o que é esse fenômeno?
O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico. Ele figura como um dos padrões climáticos mais poderosos do planeta, capaz de elevar temperaturas, intensificar tempestades em certas regiões e provocar secas severas em outras. Potencializado pelo aquecimento global, esse cenário ganha força e pode se manifestar como um Super El Niño.
Os impactos do Super Niño no Brasil
Historicamente, os impactos no território brasileiro são profundos:
- Norte, Nordeste e Centro-Oeste: Longos períodos de estiagem, escassez hídrica e aumento alarmante de queimadas e incêndios florestais.
- Região Sul: Chuvas torrenciais, enchentes devastadoras e desalojamento de famílias.
Além de prejudicar a produção de alimentos, as consequências atingem em cheio a infraestrutura do país, resultando em riscos de apagões e no encarecimento da conta de luz.
Impacto no bolso: Por que a crise hídrica encarece a sua conta de luz?
A matriz elétrica brasileira é historicamente dependente da força das águas. Quando o país enfrenta secas prolongadas, os reservatórios das usinas hidrelétricas caem a níveis críticos. Para garantir o abastecimento e evitar o colapso do sistema, o país é obrigado a acionar as usinas termelétricas.
Essa medida gera duas consequências graves:
- Impacto financeiro direto: A energia gerada por termelétricas é muito mais cara, o que aciona a bandeira vermelha na conta de luz e pesa no bolso do consumidor.
- Impacto ambiental retroalimentado: As termelétricas funcionam queimando combustíveis fósseis (como petróleo, gás e carvão), emitindo toneladas de CO₂. Essa poluição acelera o aquecimento global, retroalimentando o ciclo que torna fenômenos como o Super El Niño ainda mais frequentes e destrutivos.
Estudos do Inesc mostram o paradoxo brasileiro
Para quebrar esse ciclo vicioso, debater a transição para fontes renováveistornou-se vital. O Brasil avança na expansão das energias solar e eólica, mas ainda convive com um forte paradoxo: o país continua exportando muito petróleo e mantém uma dependência profunda de combustíveis fósseis em setores essenciais.
Os estudos “Subsídios às fontes de energia fósseis e renováveis (2023-2024) e Energia e interseccionalidade: o impacto das tarifas de energia elétrica no orçamento das famílias brasileiras, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), apontam que o caminho para uma matriz verdadeiramente limpa e sustentável enfrenta barreiras econômicas e sociais severas, como:
- Incentivos ao poluente: A política de subsídios governamentais ainda destina bilhões de reais anualmente para o setor de combustíveis fósseis. Esses benefícios e renúncias fiscais barateiam artificialmente as fontes poluentes, atrasando a mudança necessária para proteger o clima contra os efeitos de um Super El Niño.
- Energia e Interseccionalidade: A crise climática e as tarifas altas não afetam a população de forma igual. Dados apontam que raça, gênero e território determinam quem mais sofre. Populações periféricas, comunidades quilombolas, indígenas e famílias chefiadas por mulheres negras são as mais vulneráveis à exclusão energética e ao comprometimento da renda para pagar a conta de luz.
Portanto, mudar a matriz de energia não é apenas uma questão técnica ou ambiental; é um imperativo de direitos humanos. O Brasil precisa de um modelo que promova a descarbonização ao mesmo tempo em que garanta uma transição justa para toda a população.
Como você pode fazer a diferença?
O enfrentamento às consequências de um Super El Niño exige mudanças estruturais e pressão popular organizada. Veja como você pode agir:
- Voto consciente: Escolha e cobre candidatos com propostas concretas para lidar com o clima e questões socioambientais.
- Busque conhecimento técnico: Procure entender os mecanismos econômicos envolvidos, como a reforma tributária, incentivos públicos e a taxação de super-ricos.
- Fortaleça a sociedade civil: Acompanhe e apoie o trabalho de organizações comprometidas com a transparência e a justiça climática, como o Inesc.
- Engajamento coletivo: Participe de coletivos, abaixo-assinados, consultas públicas e movimentos sociais. A luta coletiva é a ferramenta mais poderosa para transformar realidades.

